Jussara Araújo de Souza/Arquivo Pessoal
Jussara Araújo de Souza/Arquivo Pessoal

‘Quando vi, estava embaixo do trem’, diz mulher empurrada nos trilhos

Atendente relata medo e dor após ser jogada em fosso de estação; Metrô promete acelerar instalação de portas de plataforma

Ana Paula Niederauer e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2018 | 17h16
Atualizado 10 Janeiro 2018 | 23h21

SÃO PAULO - Como outras tantas pessoas em volta, Jussara Araújo de Souza, de 23 anos, mexia no celular ao aguardar o metrô. Enquanto conversava pelo WhatsApp com a cunhada e o marido, sentiu um forte empurrão vindo de trás. “Quando vi, estava embaixo (do trem)”, diz a jovem, que foi jogada para o fosso da Estação Conceição na tarde de terça-feira, 9, pelo faxineiro Sebastião José da Silva, de 55 anos

Ela caiu de bruços em direção aos trilhos, e conseguiu inclinar o rosto para vê-lo passar durante alguns segundos. “Morri”, foi a única coisa que passou por sua cabeça no momento. “Nem sabia se era homem ou mulher (o autor do crime), fiquei sabendo só depois, em casa, quando vi na televisão”, diz Jussara.

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A atendente ainda “criava coragem” para passar pela mesma plataforma, pouco mais de 24 horas após o incidente. Por estar com muita dor, teria de refazer a viagem para se consultar no médico. “Preciso de repouso, mas só deram um dia de atestado. Não tenho condições de voltar”, lamenta. 

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No momento do empurrão, Jussara se encaminhava para o trabalho, perto da Estação Marechal Deodoro. Há seis meses ela começou a fazer o percurso, de quase 20 quilômetros: partindo de ônibus de Americanópolis, na zona sul de São Paulo, até a Estação Conceição da Linha 1-Azul, da qual segue até o centro da cidade. 

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Sobre o incidente, diz ter visto e sentido passarem quatro vagões sobre o seu corpo antes de a composição parar. Depois disso, quatro bombeiros desceram e a colocaram na margem do fosso, para que os demais vagões passassem. “Sentia muita dor na perna (esquerda) e no braço (direito)”, lembra ela, que foi colocada em uma maca e encaminhada para o Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya, no Jabaquara, zona sul. 

Com escoriações, Jussara levou 30 pontos na perna esquerda e teve alta apenas às 22 horas, quase oito horas após ter sido empurrada. “Estou cheia de hematomas”, diz ela, que tem três filhos, de 11 meses, 4 e 6 anos.

Sobre o agressor, ela espera que continue preso. “Eu escapei, mas pode fazer outra vítima. A gente nunca acha que vai acontecer com a gente.” 

À polícia, Sebastião José da Silva alegou ter empurrado a vítima após ter ouvido “vozes”. Ele foi imobilizado por passageiros próximo da plataforma e, em seguida, foi preso. 

 

Proteção

Para Jussara, a instalação de portas de proteção na estação, como na Linha 4-Amarela, seria uma forma de evitar incidentes. Por meio de nota, o Metrô informou que deve concluir ainda em janeiro as tratativas para instalar portas de proteção em todas as estações “de maior demanda” da Linha 1-Azul e da Linha 3-vermelha. 

“Em setembro, o Metrô iniciou um processo de negociação com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para abertura de uma linha de financiamento para instalação de portas de plataforma”, informou, sem especificar quais seriam as estações.

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