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Após protesto, Ceagesp suspende cobrança de estacionamento

Celso Filho, Felipe Tau, Laura Maia de Castro, Mônica Reolom, Victor Vieira - O Estado de S. Paulo

14 Março 2014 | 19h 26

Companhia de entrepostos informou que local ficará fechado para o público neste fim de semana. Manifestação provocou onda de destruição e deixou pelo menos cinco feridos - um deles baleado

Atualizada às 20h21

SÃO PAULO - A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) informou que suspenderá a cobrança do estacionamento e ficará fechada neste fim de semana para o público. A decisão foi tomada horas após um protesto, na manhã desta sexta-feira, 14, ter causado uma onda de destruição no local e deixado pelo menos cinco pessoas feridas - uma delas baleada. De acordo com a Ceagesp, o espaço só funcionará no fim de semana para carga e descarga de caminhões. 

"Vamos ter que necessariamente descobrir outras formas de financiamento nos próximos dois, três meses porque não haverá cobrança. Se nós conseguirmos encontrar outras formas de financiamento, vamos reavaliar a cobrança", disse o presidente da Ceagesp Mário Maurici.

A Ceagesp informou que pelo menos quatro seguranças foram feridos a pedradas. O vigilante Fábio Santos, de 35 anos, foi atingido na cabeça durante o tumulto. Ele conta que foi ferido quando a equipe de seguranças recuava por causa dos objetos lançados pelos manifestantes. "O início da confusão foi muito rápido. Nem deu para ver direito o que aconteceu", disse. Santos, que chegou a ficar inconsciente por causa do golpe, foi socorrido por policiais.

Trabalhadores e pessoas que estavam na manifestação relataram que houve tiros. Segundo informações preliminares da Polícia Civil, o carregador de caixas Wellington Washington dos Santos, de 23 anos, teria sido baleado no abdome e levado ao Hospital Universitário. A assessoria do HU informou que ele foi submetido a uma cirurgia na tarde desta sexta e passa bem. 

Investigação. Segundo a Polícia Civil, a identificação dos envolvidos no protesto será dificultada porque os manifestantes estavam com o rosto coberto com roupas. Em depoimento à polícia, vigilantes disseram que alguns manifestantes estavam armados e que havia no ato pessoas que não frequentam a Ceagesp. Ninguém foi detido.

"Os vigias estavam guardando o prédio e os manifestantes pediram pra eles saírem. Como eles não atenderam, começaram a atacar com pedras e os guardas atiraram em um menino na barriga", disse o vendedor Rodrigo Mendes, de 24 anos, que trabalha no local. A assessoria de imprensa da Ceagesp afirmou que os tiros partiram dos seguranças, mas não soube dizer se alguém foi atingido.

O 91.º DP (Ceagesp) fez o registro parcial do boletim de ocorrência do tumulto da manhã desta sexta-feira, 14, na Ceagesp. A Polícia Civil investiga dano ao patrimônio público, lesão corporal, incêndio e associação criminosa (formação de quadrilha). A investigação de tentativa de homicídio depende da confirmação de feridos a bala e dos relatos de testemunhas e vítimas.

Segundo a Polícia Civil, as imagens das câmeras de segurança já foram solicitadas e os registros da central de monitoramento estão preservados, apesar da depredação.

Pelo menos dez funcionários da empresa de segurança foram ao DP na tarde desta sexta-feira, 14, para prestar depoimento. Também compareceram representantes da Ceagesp, da concessionária e da empresa que teve o guincho queimado durante a manifestação.

Danos. O sistema de cobrança do estacionamento ficou totalmente danificado nas portarias 5 e 3. A feirante Fernanda Andrade de Camargo, que trabalha no pavilhão de verduras, disse que às 16 horas o clima no local era tranquilo e muitos comerciantes de áreas que não foram atingidas voltaram a trabalhar. No entanto, seguranças e a Polícia Militar não permitiam a entrada e a saída de pessoas no entreposto, o que poderia comprometer as vendas dos hortifrútis. "Ninguém entra nem sai. Nas verduras, tudo está funcionando normalmente, parece que não aconteceu nada, mas o movimento está bem fraco", contou.

A Companhia de Concessões em Circulação Veicular (C3V), responsável pela organização do sistema viário da Ceagesp, disse, em nota, lamentar os incidentes. A empresa informou que na quinta-feira, primeiro dia de cobrança, não foram registrados problemas no funcionamento do sistema ou outros incidentes.

A confusão. Segundo a Polícia Militar, o pátio do entreposto foi invadido às 11h15 por cerca de cem pessoas. Um grupo ateou fogo em caixas de frutas, cabines de fiscalização, caçambas, um armazém, um carro e em ao menos um caminhão no pátio do entreposto. Dois prédios, que seriam da administração, segundo funcionários, também foram incendiados - um deles seria depósito de arquivos e documentos da companhia. Segundo a PM, o protesto chegou a reunir 300 pessoas.

Os manifestantes impediram a passagem no portão 3, um dos principais acessos e dificultaram o trânsito na região. Às 12h10, o grupo ocupava duas faixas da Gastão no sentido Pinheiros e a recomendação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) era evitar a região.

O Batalhão de Choque chegou ao local às 12h47 e se retirou por volta das 14 horas, quando a situação estava controlada. Segundo o tenente coronel José Balastiero, comandante do 2.º Batalhão de Choque, sete viaturas com 150 homens do Choque foram enviadas. Balastiero disse que ninguém foi detido e afirmou que a tropa lançou três bombas de efeito moral e quatro de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Alguns deles lançaram frutas contra a tropa antes de correr.

Segundo o coronel Mauro Lopes, porta-voz da PM, já havia viaturas no local, mas os policiais não partiram para o combate porque a situação fugiu do controle e seria necessário reforço.

 

 

Bombeiros. O capitão André Bastos disse que os bombeiros atuaram em três locais: no portão 13 e em dois prédios administrativos - um deles chamado entreposto. Segundo ele, o combate às chamas no prédio do entreposto, que foi o mais atingido, demorou cerca de 40 minutos. O prédio foi bastante danificado. "Foram utilizados contêineres de lixo incendiados para quebrar os vidros e houve propagação das chamas com o material de escritório que tinha lá dentro."