Divulgação
Divulgação

Após pressão partidária, Alckmin troca secretário do Meio Ambiente

Saída de Ricardo Salles teve influência de seu próprio partido, o PP; Maurício Brusadin, ex-membro do PV, vai assumir a pasta

Pedro Venceslau, Fabio Leite, Fábio de Castro e Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2017 | 16h37
Atualizado 28 Agosto 2017 | 22h50

O secretário estadual do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e seu adjunto, Antonio Velloso Carneiro, anunciaram nesta segunda-feira, 28, a saída da pasta. O principal motivo foi a pressão do partido de Salles, o PP, que não estava satisfeito com o desempenho do secretário e pediu a troca ao governador Geraldo Alckmin (PSDB). A assessoria de imprensa do governo informou, na noite desta segunda, que o governador acatou o pedido de desligamento apresentado por Salles. 

“Havia uma certa insatisfação no meio político e ambiental por causa de algumas ações da secretaria. Falei com o governador sobre a disponibilidade de substituir o Ricardo por alguém com um perfil mais conciliador, que pudesse repactuar com o setor ambiental”, afirmou nesta segunda o deputado federal Guilherme Mussi, presidente estadual do PP. Maurício Brusadin, ex-membro do PV, vai assumir a pasta a partir do dia 30 de agosto. 

Salles, que ganhou notoriedade ao liderar o movimento Endireita Brasil, foi secretário particular de Alckmin entre 2013 e 2014. Titular do Ambiente desde julho de 2016, ele sofreu desgaste no cargo por sucessivos enfrentamentos com líderes ambientalistas.

Salles é investigado pelo Ministério Público Estadual (MP-SP) por improbidade administrativa. Ele se tornou réu em uma ação civil pública após ser acusado de ter alterado as propostas do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) Várzea do Tietê, atendendo a solicitações da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Tanto Salles quanto a Fiesp negam.

Questionado sobre sua saída, Salles afirmou que só o governador poderia falar sobre o assunto, mas que deixava a pasta “com a sensação do dever cumprido”. Nas redes sociais, ele postou carta enviada no dia 7 a Alckmin, assinada também por seu adjunto, em que pedia o afastamento do cargo. Ele escreveu que pautou sua gestão “pela busca incessante de desburocratização, simplificação e racionalização da máquina administrativa, sempre com estrita observância da legislação ambiental e em defesa da sustentabilidade”.

“Quero agradecer o empenho e determinação do Ricardo Salles, que fez um excelente trabalho e nos ajudou a encontrar soluções inovadoras na gestão ambiental do Estado”, observou Alckmin. "A parceria com o secretário-adjunto Antonio Velloso Carneiro, que também deixa o cargo, foi fundamental para o êxito dos resultados", informou, em nota, o governo do Estado. 

 

 

Mais conteúdo sobre:
Meio Ambiente

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.