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Após morte de adolescente, mais um ônibus é queimado em SP

Giovana Girardi, Victor Vieira

09 Fevereiro 2014 | 13h 52

Morte no Butantã foi decorrente de troca de tiros entre policial e assaltantes; moradores queimaram ônibus em represália

Atualizado às 22h02

Uma adolescente de 17 anos foi morta à 1 hora deste domingo por uma bala perdida, após troca de tiros entre um policial civil e assaltantes no Butantã, zona oeste de São Paulo. Um grupo de moradores da favela onde morava a vítima decidiu incendiar um ônibus em protesto, pela manhã.

O policial civil voltava para casa à noite quando testemunhou o assalto na Avenida Nossa Senhora da Assunção. Uma dupla de rapazes em uma motocicleta preta abordou quatro amigos que estavam em um Fiat Uno vermelho. Armados com revólveres, os criminosos levaram relógios, celulares e dinheiro.

Para que não fossem reconhecidos, os assaltantes obrigaram os amigos a ficar com os rostos voltados para o chão. Quando tentaram fugir, o policial acelerou o carro para alcançá-los.

De acordo com a Polícia Civil, os criminosos começaram a disparar contra o policial, que revidou. O fugitivo que pilotava a moto foi achado caído no chão perto de uma favela, com sangramentos no peito e na boca. O comparsa conseguiu escapar. No tiroteio, Larissa Leite da Silva, de 17 anos, foi atingida no tórax e morreu antes de ser atendida. O assaltante ferido, de 17 anos, foi levado ao Hospital das Clínicas, mas não há informações sobre seu estado de saúde.

Protesto. “Quero justiça”, disse a faxineira Simone Leite, de 40 anos, mãe da adolescente. “Os policiais já chegam na favela atirando, sem saber se há crianças ou idosos”, criticou. Segundo ela, a filha nunca se envolveu com crimes ou drogas e ia para uma festa naquela noite.

A perícia ainda indicará de onde partiu o tiro que matou a garota. Como estava escuro, segundo a Polícia Civil, não foi possível achar vestígios das balas. A arma dos bandidos também não foi encontrada.

Em represália à morte de Larissa, 15 pessoas atearam fogo em um ônibus da Viação Transppass perto do local do tiroteio, horas depois da perseguição. O grupo, que carregava galões de combustível, obrigou motorista, cobrador e fiscal a descerem do veículo.

As ocorrências foram registradas no 91º Distrito Policial (Ceasa). Com esse caso, pelo menos 36 ônibus já foram queimados na capital neste ano.

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