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Após enchente, Peruíbe decreta calamidade e pede ajuda

Rejane Lima - O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2008 | 20h 23

Segundo estimativas da Defesa Civil, a enchente pode ter deixado até 1.200 famílias desabrigadas

Centenas de colchões, roupas e alimentos foram distribuídos durante todo o domingo, 13, em Peruíbe, uma das cidades do litoral sul de São Paulo que foi mais afetada pelas chuvas. A Prefeita Julieta Omuro (PMDB) decretou estado de calamidade e espera ajuda financeira do Governo do Estado assim que os prejuízos forem contabilizados.   "Num primeiro momento a mobilização foi para o salvamento das pessoas, com a vinda de mais bombeiros e homens da defesa civil de outros municípios. Agora, as equipes técnicas estão fazendo a avaliação e contabilizando os prejuízos, mas por causa da maré alta o resultado deve sair em um ou dois dias".   A estimativa da Defesa Civil, segundo o presidente Luis Carlos de Oliveira, é que a enchente tenha atingido de 25 a 28 mil pessoas, deixando até 1.200 famílias desabrigadas. Além da casa de parentes e amigos, há 800 desabrigados no Centro de Convenções, no Centro de Peruíbe e mais 300 no Centro Comunitário de Caraminguava, um dos bairros mais atingidos.   No almoço, foi servido macarrão e arroz. A auxiliar administrativa Rosemary Reis, de 39 anos, trabalhou como voluntária distribuição de sapatos todo o dia. "Eles ficam muito felizes ao receberem as doações. Tem muita coisa boa, todo mundo está sendo muito humano e acho que o mais importante é cada um ajudar um pouquinho".   Prestes a completar 14 anos, é a terceira vez que o estudante Alef Javarini Cruz, passa pela situação de ter a casa completamente alagada. "Essa chuva acontece de sete em sete anos, eu nasci num dia de enchente", conta o menino. Ele explica que na ocasião, a família não precisou sair de casa, mas quando a bolsa da mãe estourou, ela teve que ir a maternidade de barco.   Morador do bairro Caraguava, Alef passou a noite no Centro de Convenções de Peruíbe, onde a Prefeitura montou alojamento para cerca de 800 pessoas. "Minha mãe acabou de me ligar, ela foi lá ver como estava e disse que a água ainda não baixou. Não deu para salvar nada, a gente tinha guarda roupa novinho e armário da cozinha novinho", explica o menino, que saiu com a roupa do corpo. "Eu vim descalço, só deu para pegar meu celular".   Alef afirma que passou muito nervoso ao convencer a mãe a deixar a casa. "Ela chorava, dizia que não ia encher, mas essa chuva foi a pior de todas". No entanto, não perde o bom humor e diz sorrindo: "e olha que mesmo assim o assim nunca consegui aprender a nadar. Já me afoguei três vezes na praia".   Assim como Alef, a doméstica Jocelina Rodrigues de França, de 51 anos, aguardava em uma fila no Centro de Convenções para pegar roupas doadas para ela, o marido, e os três filhos menores, de 7, 10 e 12 anos. "eu fiquei tão desesperada porque a água começou a subir depressa que saímos correndo e não peguei nem meus documentos", afirmando que a água chegou a altura do seu peito.   Já a auxiliar de limpeza Luzia dos Santos, de 58 anos, disse que foi pega de surpresa com a chuva e que estava apenas passando uma temporada na casa que já morou, no Jardim Veneza. "Agora eu moro na Mooca (zona Leste de São Paulo) e vim aqui para tentar vender a minha casinha e comprar uma lá na periferia". Otimista, Luzia acredita que a água vai baixar logo e ela poderá concluir a negociação, conseguindo R$ 20 mil pela casa. "As pessoas compram assim mesmo, estão acostumadas a enchentes".