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Cúpula da Corregedoria da Polícia Civil cai após denúncia de 'mensalão'

Nestor Sampaio Penteado Filho deixa direção do órgão; outras nove pessoas foram afastadas de cargos pelo secretário de Segurança

Alexandre Hisayasu e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

21 Dezembro 2015 | 13h11

Atualizada às 22h22

SÃO PAULO - O secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, determinou nesta segunda-feira, 21, o afastamento imediato da cúpula da Corregedoria da Polícia Civil e de todos os policiais suspeitos de participar de um esquema de propina que protegeria os agentes que deveriam investigar e prender.

Também foram afastados por Moraes o chefe dos investigadores do Departamento de Investigações Criminais (Deic), Silvio Toyama, e o delegado Luiz Longo, suspeitos de permitir a fuga de dois investigadores que seriam presos por corrupção. No total, dez policiais perderam os seus postos.

Moraes convocou uma entrevista coletiva após o Estado mostrar que promotores do Grupo Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep) investigam um “mensalão” pago por policiais corruptos à Corregedoria da Polícia Civil. Em troca de até R$ 50 mil por mês, eles seriam avisados sobre investigações e operações da promotoria contra eles.

O ex-diretor Nestor Sampaio Penteado será substituído pelo delegado Domingos Paulo Neto, que deixa o comando do Decap – departamento responsável pelos 93 distritos policiais da capital. No seu lugar, assume Ismael Rodrigues. Penteado fica à disposição da Delegacia Geral, sem função definida. Outros sete policiais da corregedoria, incluindo o chefe dos investigadores, Waldir Tabach, também foram afastados.

“O novo corregedor assume o cargo amanhã (hoje) com três determinações: trocar toda a equipe da corregedoria e trazer pessoas da sua total confiança, abrir procedimentos administrativos sobre todos os fatos apresentados pelo Ministério Público e suspender os policiais com indícios de participação”, afirmou Moraes. Ele também determinou a instauração de inquéritos policiais contra os suspeitos no caso.

O secretário disse ainda que não há ainda nenhuma suspeita contra o ex-corregedor. O afastamento dele aconteceu para evitar constrangimentos. “Não é razoável o chefe da equipe investigar a própria equipe.”

Reunião. Os promotores do Gecep se reuniram com Moraes na última quarta-feira. No encontro foram apresentados todos os fatos e indícios envolvendo denúncias de vários crimes de corrupção praticados por agentes da corregedoria desde novembro de 2013. A cópia dos documentos foram encaminhadas à Secretaria da Segurança Pública na semana anterior.

Moraes analisou o material, que inclui escutas telefônicas, no fim de semana, antes de decidir pelas mudanças na corporação. Pediu providências à Delegacia Geral. Segundo ele, o vídeo gravado pelas câmeras do Deic, que mostra os promotores sendo enganados por policiais do departamento e da corregedoria para a fuga dos investigadores Mario Capalbo e Raphael Schiavinatto, “foi uma prova fundamental”. Os dois se entregaram e tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Prova. Os promotores apreenderam o vídeo depois de desconfiar que haviam sido enganados durante a operação. As imagens mostram os dois agentes chegando ao prédio do Deic, por volta das 16h do dia 11 de novembro. Eles vão direto para a sala do delegado Luiz Longo.

Minutos depois, os promotores chegam ao Deic com homens da corregedoria e se dirigem para a sala do diretor, Emygdio Machado Neto.

Em seguida, Longo é chamado para a sala da diretoria. No caminho passa na frente de outras delegacia e avisa sobre o que está acontecendo, segundo as investigações. Em uma das imagens, na frente dele, aparece o delegado Machado Neto.

Enquanto todos estão na sala da diretoria, Capalbo e Schiavinatto fogem. Eles passam na frente do agente da corregedoria Fabio Iezzi por duas vezes e ele não faz nada. Quando os promotores descem para a sala dos investigadores, não encontram mais ninguém.

Procurada pela reportagem, a Secretaria da Segurança não respondeu aos questionamentos sobre o conteúdo da conversa do delegado Emygdio com o delegado Longo enquanto os investigadores se preparavam para fugir.

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