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Após cinco meses em queda, número de assassinatos na capital volta a subir

Bruno Ribeiro, Juliana Ravelli e Rafael Italiani - O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2014 | 16h 51

Aumento foi de 3,6% em julho na comparação com mesmo mês do ano passado; no Estado, aumento foi de 6,7%

Atualizado às 21:44

SÃO PAULO - O número de assassinatos tanto no Estado de São Paulo quanto na capital, no mês de julho, foi maior do que no mesmo mês de 2013. O aumento foi de 6,8% no Estado (de 311 para 332 casos) e de 3,6% na cidade - aumento de 83 para 86 casos. É o primeiro aumento de homicídios na capital desde janeiro.

Conforme o Estado adiantou na edição impressa desta segunda-feira, os roubos também tiveram novo aumento no mês de julho. É o 14.º mês consecutivo. No Estado, o crescimento foi de 12,6%. Na capital, houve 20% de roubos a mais. Os dados sobre o crescimento da violência foram divulgados ontem pela Secretaria de Estado da Segurança Pública.

O secretário Fernando Grella Vieira voltou a atribuir os aumentos consecutivos ao boletim eletrônico, que desde o fim do ano passado registra crimes de roubo. Nesta segunda, disse que, se não fosse a delegacia eletrônica, os aumentos no Estado e na capital seriam de 5% e 12%. "Quando ampliamos a possibilidade de registro foi exatamente para reduzir a subnotificação e também um compromisso com a transparência e a qualidade dos dados. A polícia, para poder planejar adequadamente as ações, precisa de dados, de informações", explicou Grella.

Ainda de acordo com o secretário, não há uma explicação para que o crime de homicídio voltasse a aumentar em julho. "É questão pontual, que não revela tendência. Se pegar o acumulado do ano, ainda há uma redução", disse. Nos sete primeiros meses deste ano, houve uma redução sensível de 1,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O coronel reformado da Polícia Militar e consultor de segurança José Vicente da Silva Filho também destaca o fato de que o aumento do número de homicídios ocorreu apenas em um mês, "e é muito cedo para saber se é uma tendência". "Não sabemos se houve algum fato anormal que justificasse esse aumento. Sabemos é que não há nenhum grande plano com foco nessa redução", afirmou.

Entretanto, Vicente diz que o novo crescimento do número de roubos, ainda que em ritmo menor do que o observado nos meses anteriores, é preocupante. "É menor do que os outros, mas 12% é um aumento muito grande", diz. "Seria preciso que houvesse políticas específicas para cada tipo de roubo, que são computados juntos, no mesmo quesito", afirma.

Carros. Houve redução também no total de carros roubados e furtados em São Paulo, conforme o Estado adiantou nesta segunda. O coronel José Vicente da Silva afirma que os dados ainda indicam estabilidade nesse crime e afirma que a nova política de combate aos desmanches irregulares tem limitações. "O desmanche é o destino de carros antigos. Uma pessoa que tem um carro com 2 anos, por exemplo, não vai procurar uma porta de carro no desmanche", diz o especialista.