Após ataques a PMs, cai nº de blitze da lei seca

Média foi de 640 para 376 abordagens por dia; especialista teme perda de credibilidade

CAMILLA HADDAD, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2012 | 03h02

Após os ataques a policiais militares, ônibus e bases no mês passado, o número de motoristas parados em fiscalizações da lei seca na capital caiu pela metade. De 1.º de janeiro a 18 de junho, uma média de 640 pessoas sopraram o bafômetro por dia nas ruas. Depois disso, até 2 de julho, a média diária caiu para 376.

O período coincide com o reforço no policiamento determinado pelo comando da Polícia Militar como resposta aos ataques. Policiais ouvidos pela reportagem confirmaram a diminuição das operações nos últimos dias. Mas, em nota, a PM negou que as blitze tenham sido alteradas e atribuiu a redução a uma mudança recente na rotina dos PMs do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran), que desde junho estariam atendendo casos de acidentes de trânsito nas noites de sexta-feira, sábado e domingo.

A reportagem apurou ainda que, entre 1.º de janeiro e 18 de junho, 35 pessoas foram multadas por dia por embriaguez ao volante. Já entre 18 de junho e 2 de julho, essa média diária caiu para 16 motoristas.

Para o presidente da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), Mauro Augusto Ribeiro, esse tipo de situação pode fazer a lei seca perder credibilidade. "A percepção brasileira hoje é de que não há controle. Esse é o nosso problema", diz.

Na Vila Madalena, zona oeste da capital paulista, a falta de fiscalização da Polícia Militar também foi percebida por quem frequenta o bairro. O taxista Geraldo Nelson diz que não tem visto mais os bloqueios. "Deu uma parada. É um passageiro ou outro que pega táxi por causa disso", observa. "A gente vê os estacionamentos da região todos cheios. O pessoal está vindo de carro sem medo", completa um colega.

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