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Após assembleia, metroviários decidem não retomar greve

Bruno Ribeiro e Caio do Valle - O Estado de S. Paulo

11 Junho 2014 | 20h 51

‘Nossa intenção não é atrapalhar a Copa’, disse presidente do sindicato; paralisação futura não é descartada. Ministério Público do Trabalho quer discutir dispensas

Atualizada às 21h34

SÃO PAULO - Os metroviários de São Paulo descartaram paralisar a circulação dos trens nesta quinta-feira, 12, durante a abertura da Copa. Em assembleia realizada na noite desta quarta, os trabalhadores decidiram suspender a greve, mas farão uma manifestação a partir das 10h na sede do sindicato, na Rua Serra do Japi, na esquina da Radial Leste, contra as 42 demissões feitas pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB). O Ministério Público do Trabalho (MPT) cobrou do Metrô justificativa para cada desligamento. 

A categoria ameaça fazer novas paralisações ainda durante o Mundial. Os protestos vão pedir a revogação das demissões de funcionários acusados de atos de vandalismo durante a greve que durou cinco dias e foi julgada abusiva, no domingo, pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Daniel Teixeira/Estadão
Metroviários decidiram não retomar greve

“Nossa intenção não é atrapalhar a Copa. Não queremos ameaçar a festa, mas queremos que todo mundo saiba que há pessoas preocupadas com outras coisas (a readmissão dos demitidos)”, disse o presidente do sindicato, Altino de Melo Prazeres Júnior. 

A assembleia desta quarta alterou decisão tomada na segunda-feira, quando foi indicada nova paralisação para o dia da abertura da Copa. A direção do sindicato percorreu estações do metrô e locais de trabalho e avaliou que os funcionários estão dispostos a fazer uma campanha pela readmissão dos funcionários, mas concluíram que a greve teria efeito contrário perante a opinião pública. 

Os metroviários devem usar durante a Copa adesivos em três idiomas pedindo a revogação das demissões. “Queremos nossos colegas readmitidos antes do fim da Copa”, disse o presidente da Federação Nacional dos Metroviários, Paulo Pasin.

O sindicato anunciou também que vai iniciar uma campanha de arrecadação de dinheiro para pagar os salários dos demitidos e as multas. Eles avaliam que boa parte da população apoia a campanha da categoria.

Autuação. O Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Delegacia Regional do Trabalho, autuou o Metrô em razão das demissões. Segundo o superintendente regional de São Paulo, Luiz Antonio de Medeiros, a empresa cometeu atitudes antissindicais. “Fizemos uma fiscalização hoje com dois agentes e constatamos que a empresa não foi alvo de vandalismo. Eles foram demitidos como represália à greve”, disse Medeiros. O Metrô afirmou que não tinha informações sobre a atuação.

Dois dos metroviários dispensados teriam sido readmitidos pelo Metrô, informou o sindicato. Um segurança e um agente de estação teriam recebido um telefonema do Departamento de Recursos Humanos da empresa na manhã desta quarta com comunicado sobre a revogação do desligamento. Por meio de nota, no entanto, o Metrô negou a informação e disse que “nenhuma demissão foi revista”.

Negociação. Pouco antes da assembleia, a audiência de conciliação entre o Metrô e o Sindicato dos Metroviários terminou sem acordo no Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre as demissões. O órgão sugeriu, então, que os desligamentos sejam discutidos caso a caso com a apresentação de provas de faltas graves, a fim de proporcionar apresentação de defesa e contraprovas. 

O Metrô informou que vai analisar as demissões caso a caso. A empresa, no entanto, ressaltou que tem como comprovar por imagens das câmeras internas das estações e boletins de ocorrência feito com relatos de testemunhas que os demitidos estavam envolvidos em “atos de vandalismo, sabotagem e agressão física de funcionários da equipe de contingência por grevistas”. 

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