Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Após 50 dias de seca, chove em São Paulo nesta quinta

Precipitação ocorreu de forma leve e rápida em partes da cidade; mês de julho foi o mais seco dos últimos nove anos

Felipe Cordeiro e Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 12h50

SÃO PAULO - Após 50 dias de seca, os paulistanos tiraram nesta quinta-feira, 3, o guarda-chuva do armário. A chegada de uma frente fria a São Paulo provocou rápidas pancadas de chuva pela manhã, melhorando a qualidade do ar. Mas, segundo os meteorologistas, foi um breve refresco. As previsões mostram que o tempo seco volta a vigorar na maior parte do Estado a partir deste domingo. 

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura de São Paulo, a zona sul paulistana foi a mais beneficiada pela chuva. Os maiores volumes foram registrados em Parelheiros (4,2 milímetros) e Capela do Socorro (2 mm). A última chuva significativa na cidade havia ocorrido no dia 13 de junho.

Com o retorno da precipitação, a temperatura caiu para 17 º C por volta do meio-dia, e a taxa de umidade do ar chegou a 66% à tarde, ante 27% registrada na tarde do dia anterior. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera índice abaixo de 60% prejudicial à saúde. 

A recomendação para aliviar o mal-estar causado pelo ar seco, em especial para os moradores que já têm problemas respiratórios, é reforçar o consumo de água e umidificar ambientes com uso de recipientes com água, toalhas molhadas ou vaporizadores.

“Essa massa de ar polar que entrou em São Paulo provocou chuva leve na capital e em todo leste do Estado e vai deixar sexta-feira e sábado ainda mais gelada, com chuva fraca na Grande São Paulo”, afirma a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo. De acordo com o CGE, o céu fica encoberto nesta sexta na capital, com garoa frequente. A mínima prevista é de 13°C e a máxima, de 17°C. 

A previsão, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é de que o clima seco, característico do mês de agosto, retorne a partir de domingo. “Essa chuva, apesar de fraca, amenizou um pouco a situação, mas umidade vai baixar bastante de novo a partir de domingo e voltará aquele tempo típico de agosto”, disse a meteorologista Neide de Oliveira.

Neste ano, contudo, a estiagem extrema se antecipou um pouco. O mês de julho foi o mais seco dos últimos nove anos em São Paulo, com menos de 1 milímetro de precipitação (no dia 4) na maioria das regiões da cidade – em 2008, não houve nenhuma ocorrência de chuva. A média histórica para o mês é de 46,6 milímetros.

Mananciais. A escassez de precipitações também atingiu os principais mananciais que abastecem a Grande São Paulo. Os seis principais sistemas de abastecimento registraram um volume de chuvas abaixo da média. No maior deles, o Sistema Cantareira, a pluviometria acumulada em julho foi de apenas 2,1 mm, ante uma média história de 48,7 mm no mês. 

O volume que entrou nas represas pelos rios ficou 50% abaixo da média, melhor só do que nos dois anos de crise hídrica (2014 e 2015). Em julho, o nível do Cantareira teve a maior queda desde o fim da crise, de 66,9% para 62,8% da capacidade. Ainda assim, índice muito acima ao da seca extrema, quando o sistema estava no volume morto, abaixo de zero.

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