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Após 32 ônibus incendiados, governo investiga ação do crime organizado

Bruno Ribeiro, Fabiana Cambricoli, Luciano Bottini Filho e Mônica Reolom - O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2014 | 02h 03

Dez linhas deixaram de circular desde o fim de semana no bairro João XXIII, na zona oeste. Secretário da Segurança afirma que haverá reforço de policiamento e que está discutindo com as empresas medidas para combater o problema

SÃO PAULO - Após 32 ônibus municipais serem incendiados apenas neste mês, o secretário de Estado da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, disse ontem que não descarta a participação do crime organizado nas ações. Na manhã de ontem, mais um coletivo foi atacado na região do M'Boi Mirim, zona sul de São Paulo.

"Não temos ainda clareza se é crime organizado - não descartamos - ou se são meramente movimentos sociais. E por qual razão? Porque as motivações confirmadas pelas próprias empresas são as mais distintas. Ora em razão da morte de uma pessoa, ora em razão de enchente, ora em razão de outros problemas", declarou o secretário, ao ser questionado sobre a presença de integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em pontos finais de linhas do bairro Jardim João XXIII, na zona oeste.  

Desde o fim de semana, veículos de dez linhas deixaram de circular no bairro no período da noite. "Tivemos toque de recolher, mas as coisas ainda não estão muito claras. Há muitos boatos por aqui e as pessoas ficam com medo", disse um líder comunitário da região, que não quis ser identificado.

Segundo a São Paulo Transporte (SPTrans), empresa que administra o transporte municipal, os passageiros tiveram de desembarcar na Rodovia Raposo Tavares, até dez pontos antes da parada final.

No Jardim Ângela, zona sul, veículos de 12 linhas foram recolhidos anteontem durante parte do dia. Nas duas regiões, mais de 200 mil passageiros foram prejudicados pelas interrupções desde o fim de semana. Ontem, 120 mil ainda eram afetados pelas paralisações.

Reforço. Grella disse ainda que recomendou ontem, em reunião com o Comando-Geral da Polícia Militar, o reforço do policiamento nessas regiões. Farão parte desse reforço policiais da Rota e do 2.º Batalhão de Choque. "(Os ônibus) Poderão entrar, com certeza. Já houve essa recomendação e nós vamos dar essa proteção", disse.

O secretário afirmou ainda que já vem discutindo com as empresas de transporte medidas para combater os incêndios em ônibus. Uma reunião entre as duas partes foi realizada na sexta-feira. "Discutimos uma série de medidas e alternativas e foram definidas ali algumas providências e ações que já estão em andamento", afirmou.

Ele não quis detalhar as ações. "O fato é que não é uma situação normal e nós estamos mobilizados com o setor de inteligência em duas linhas: fortalecendo as investigações, e há uma grande dificuldade porque muitos não querem falar, e atuando na área preventiva." De acordo com Grella, entre anteontem e ontem, 16 pessoas foram detidas suspeitas de participarem dos ataques.

Na mesma coletiva, convocada pela Prefeitura para apresentar o balanço das ações na Cracolândia, no centro, o prefeito Fernando Haddad (PT) declarou que "a preocupação é enorme" e a Secretaria de Transportes está em permanente contato com as empresas. "A concessionária tem todo o interesse em cumprir a sua rotina. O problema é colocar os passageiros e equipamentos em risco, forçando a entrada onde há ameaça real de vandalismo."

GCM. O prefeito descartou o envio de homens da Guarda Civil Metropolitana para as áreas afetadas pelos ataques. "A guarda é do patrimônio imobiliário. Ela não tem treinamento para enfrentar uma situação de combate a pessoas armadas e dispostas a tudo para fazer valer a sua vontade. Mas nós vamos estudar as circunstâncias, porque temos de dar uma resposta a esse impedimento", disse Haddad.