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Após 101 dias, chuva faz nível do Cantareira parar de cair

Volume de água de um dia foi igual à pluviometria de todo o mês de agosto; seca, no entanto, voltará a castigar a região por nove dias

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Fabio Leite e José Maria Tomazela ,
O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2014 | 21h21

Após 101 dias consecutivos de queda, o nível do Sistema Cantareira ficou estável nesta quarta-feira, 3, em 10,7% da capacidade graças à chuva que caiu na região do maior manancial paulista. Segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o volume de água que entrou nas represas em um único dia foi praticamente igual à pluviometria acumulada em todo o mês de agosto: 22,2 milímetros.

Apesar do alívio momentâneo, dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe) indicam que a seca voltará a castigar a região do Cantareira pelos próximos nove dias. A próxima chuva sobre o manancial está prevista apenas para o dia 12 de setembro. Na média, o manancial costuma receber 91,9 milímetros neste mês, volume 150% superior ao previsto para agosto, 36,9 milímetros. 

“Os modelos climatológicos apontam uma tendência de volta à média de chuvas a partir deste mês. Estamos entrando na primavera, que costuma alternar dias ensolarados e mais secos com pancadas rápidas”, explica o meteorologista Marcelo Pinheiro, do Instituto Nacional de Meteorologia. Apenas a partir do verão, que vai de dezembro a março, é que as chuvas ficam constantes, com chances mais concretas de elevar o nível dos reservatórios que abastecem hoje cerca de 12 milhões de pessoas na Grande São Paulo e região de Campinas.

Bênção. No município do interior, a chuva dos dois últimos dias elevou a vazão do Rio Atibaia, que abastece 95% dos 1,1 milhão de habitantes, de 4,8 mil litros por segundo na terça para 13 mil litros na quarta. O aumento de 190% na vazão fez com que o presidente da Sanasa, companhia de saneamento da cidade, Arly de Lara Romêo, cancelasse compromissos para ver de perto a situação. “Setembro mal começou e já recebemos essa bênção”, afirmou.

O Rio Piracicaba, na região que corta a cidade do mesmo nome, teve a vazão aumentada de 10,3 mil litros por segundo para 51 mil litros na medição do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). As águas voltaram a correr onde antes só se viam pedras no salto de Piracicaba, cartão-postal da cidade. No Rio Corumbataí, que abastece a cidade, a vazão subiu de 4 mil para 11,3 mil litros.

As chuvas devolveram as águas também ao Ribeirão das Conchas, usado para o abastecimento de Pereiras, região de Sorocaba. Com o rio seco, a captação está suspensa há seis meses e a cidade é abastecida com água de poços. A chuva que inundou a calha tomada pelo mato ainda é insuficiente para o abastecimento, mas garante água para o gado. 

Em Itu, com o racionamento drástico desde o início de fevereiro, moradores dos bairros Novo Itu e Cidade Nova foram às ruas pegar a água da chuva com baldes. A comerciante Rosângela Andrade garantiu mais de cem litros para arrumar a cozinha e lavar o banheiro. Ela está sem água nas torneiras há uma semana. A empresa Águas de Itu informou que são necessárias mais chuvas para equilibrar o abastecimento. 

Nas áreas agrícolas do interior, agricultores ganharam ânimo para iniciar o plantio. Em Itapeva, segundo o engenheiro agrônomo Vandir Daniel da Silva, da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, a chuva acumulou 40 milímetros, favorecendo o preparo da terra para o plantio da soja, cuja semeadura começa no dia 15. 

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