Apaixonado por bicicletas, ciclista morto fazia trajeto havia décadas

Empresário Antonio Bertolucci seguia mesmo passeio todas as manhãs, antes de café com esposa

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S. Paulo

13 Junho 2011 | 16h53

O empresário Antonio Bertolucci, de 68 anos, seguia todo dia a mesma rotina. Ele acordava cedo, por volta das 7h da manhã, pegava a bicicleta e saia para uma pedalada de duas horas. O trajeto era sempre o mesmo: de sua atual residência, nas proximidades do Shopping Iguatemi, no Jardim Paulistano, até sua antiga casa no Sumarézinho. No caminho, passava na padaria para comprar pães novinhos e deixava-os na casa do seu filho Rogério - alguns quarteirões de distância da sua casa. Depois, seguia em direção à Avenida Sumaré, parava na sua bicicletaria preferida, na rua Arruda Alvim, e voltava para tomar café da manhã com sua esposa, por volta das 10h da manhã.

 

Hoje, porém, Antonio não voltou para casa. Em uma das alças da Avenida Sumaré, o empresário foi atropelado por um ônibus e morreu às 9h36, um minuto depois dar entrada no Hospital das Clínicas. Seu filho, o administrador Rogério Bertolucci, de 42 anos, conta que o pai já havia sofrido alguns pequenos acidentes no trânsito paulistano e que a própria família já o havia desaconselhado a continuar com os passeios diários. Mas sua paixão pelas bicicletas era maior do que isso. "Desde que eu me conheço por gente ele anda de bicicleta. Ele já tinha mais de 15 bicicletas, e todo dia levava uma delas para consertar, dar uma calibrada no seu bicicleteiro. A gente falava com ele parar com esse esporte, mas não adiantava. Ele adorava fazer isso", conta.

 

Antonio era acionista e presidente do Conselho de Administração do Grupo Lorenzetti, um dos principais fabricantes de duchas e chuveiros do País. A empresa foi fundada por seu avô, Alessandro Lorezentti, em 1923, e até hoje é controlada pela família. Antonio trabalhava lá desde seus 18 anos de idade - neste ano, tinha completado 50 anos de empresa. A sede do grupo funciona na Mooca, na zona leste de São Paulo, para onde o ciclista ia todo dia de carro após passear duas horas de bicicleta.

 

Seu filho, Rogério, diz que a família está se mobilizando para acionar judicialmente a empresa proprietária do ônibus de turismo que atropelou o pai. Segundo ele, a ideia é conseguir uma indenização para ser revertida para as causas dos ciclistas urbanos. "Queremos fazer alguma coisa em prol do ciclismo. Para você ter uma ideia, não existe nenhuma ciclovia na região da cidade onde moramos", diz. De acordo com Rogério, a família acredita que o ônibus estaria em alta velocidade e não teria respeitado a regra do 1,5 metro - segundo o Código de Trânsito, veículos automotores não podem ultrapassar bicicletas se estiverem a menos de 1,5 m da lateral do ciclista.

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