Garbriela Biló/Estadão
Garbriela Biló/Estadão

Ao inaugurar três estações de metrô, Alckmin atribui atraso na obra à responsabilidade fiscal

Novas estações adicionam 2,8 quilômetros de metrô à capital e devem beneficiar cerca de 60 mil pessoas

Marcelo Osakabe e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2017 | 13h28

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), inaugurou nesta quarta-feira, 6, três novas estações da Linha 5- Lilás do metrô, as primeiras da rede em três anos. A conclusão dessa linha chegou a ser prometida para 2014, mas parou por suspeita de cartéis de empresas de engenharia e de trens no projeto. Alckmin atribuiu os atrasos à política de austeridade fiscal de sua gestão. 

As estações abertas foram Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin, na zona sul da capital paulista. "É uma questão financeira. Se você tem uma crise de arrecadação, você tem que manter toda a parte de custeio, serviços públicos. E o ritmo das obras com o recurso que o Estado dispõe. Nós não gastamos mais dinheiro do que arrecadamos, se não vira o governo federal", disse o governador.  As novas estações adicionam 2,8 quilômetros de metrô à capital e devem beneficiar cerca de 60 mil pessoas, de acordo com cálculos do governo. Ao se referir à estrutura, Alckmin ressaltou que "nem Paris, nem Londres, nem Nova York, nem Pindamonhangaba têm algo semelhante". 

Na cerimônia, ele disse que seu governo é o único que investe no Brasil, em momento onde alguns Estados enfrentam dificuldades para pagar a folha salarial. "Boa política fiscal não tem déficit, mas deixa espaço para investir. Sem investimento não tem crescimento", disse Alckmin, que já deixou claro sua pretensão de concorrer à presidência da República no ano que vem.

Durante o evento de inauguração, Alckmin fez o trajeto entre as três estações no sentido Alto da Boa Vista-Brooklin e, depois, retornou do Brooklin até Borba Gato. Manifestantes do Sindicato dos Metroviários de São Paulo chegaram a se manifestar na entrada da estação Alto da Boa Vista, utilizando adesivos "O Metrô é nosso! - Lute contra a privatização". Perguntado sobre as críticas, o governardos afirmou que a Linha 5 será concedida em vez de privatizada. "A concessão você dá um prazo para operar. Acabou a operação, volta para o governo, é do povo, apenas você faz uma concessão por um período. O que você ganha com a concessão, o povo ganha?  Eficiência, produtividade, custos menores e investimento."

Apesar dos avanços, a linha 5-Lilás continua separada da rede metroviária da capital, sendo interligada apenas à linha 9-Esmeralda da CPTM. A previsão é de que a conexão com as demais linhas do metrô aconteça até o início do ano que vem. Iniciada em 1998, a linha ainda tem sete estações ainda estão em construção. Segundo Alckmin, até o fim do ano, devem ser inauguradas também as estações Eucaliptos, Moema, AACD-Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz  e Chácara Klabin. No "início do ano", promete ele, deve começar a funcionar a estação Campo Belo.

Na ocasião, o governador reiterou que a estação Higienópolis-Mackenzie da Linha 4-Amarela será entregue ainda neste ano, enquanto as estações Morumbi e Oscar Freira, de mesma linha, e Cecap e Aeroporto, da Linha 13-Jade, além de oito estações da Linha 15-Prata, serão inauguradas em março de 2018. Além disso, "se não conseguir até o final do ano que vem", nos primeiros meses de 2019, serão inauguradas a estação Vila Sônia, da Linha 4-Amarela, e as oito estações da Linha 17-Ouro. Já o secretário de  Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, disse que a Linha 18-Bronze "ainda está no horizonte", mas depende de aprovação da União para conseguir novos financiamentos.

Operação reduzida. Por um período de 60 a 70 dias, as três novas estações funcionarão de forma parcial e gratuita de segunda-feira a sábado, das 10 às 15 horas, incluindo feriados. Após esse prazo, o horário e o período de funcionamento serão ampliados gradativamente até atingir a operação diária comum ao resto da rede, das 4h40 à meia-noite, nos dias úteis.

Durante o período inicial, as novas estações funcionarão com um trem exclusivo, que contemplará o trecho entre Brooklin e Adolfo Pinheiro, com um intervalo médio de oito minutos, de acordo com o Metrô. Os usuários que seguirão o trajeto da linha deverão desembarcar e pegar um outro trem, mediante o pagamento da passagem. Na inauguração, Alckmin ressaltou que as novas estações têm estrutura "sustentável", que valoriza a luz natural. 

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