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Animais esperam 'pais adotivos' em novo centro da Prefeitura

Centro Municipal de Adoção de Cães e Gatos é equipado com 30 canis, centro cirúrgico e local para banho e tosa

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Felipe Resk e Rafael Italiani,
O Estado de S. Paulo

30 Janeiro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Nobel foi atropelado há dois anos, sofre de paralisia e aguarda alguém disposto a adotá-lo. De pelos pretos e olhos verdes, o gatinho chegou ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), na zona norte, onde 250 cães e 100 gatos esperam adoção, após ser encontrado ferido em uma biblioteca no centro da cidade. Hoje, com três anos, é o animal há mais tempo por lá. O acidente custou ao bichano a mobilidade da cauda, problema que lhe causa incontinência. E Nobel nunca encontrou quem ame tanto os animais a ponto de sair limpando cocô pela casa. É uma espécie de gato borralheiro.

Na manhã desta sexta-feira, 29, Nobel perambulava de um lado para outro e se esfregava no vidro de um dos 24 gatis do novo Centro Municipal de Adoção de Adoção de Cães e Gatos do CCZ, equipado também com 30 canis, centro cirúrgico e local para banho e tosa. "Olha, esse gatinho é um danado, um escalador, e muito, muito carinhoso", conta a agente de zoonoses Talita Bueno. "De todos eles, é quem mais está precisando de ajuda."

Na ocasião, o espaço foi inaugurado pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que comemorou a ampliação do centro ao lado dos secretários municipais da Saúde, Alexandre Padilha, e do Verde e Meio Ambiente, Rodrigo Ravena. Nas palavras do prefeito, o equipamento tem "qualidade de serviço muito superior ao que era prestado". Em cada canil ou gatil, apenas um animal. Os demais permaneceram em instalações mais antigas.

Antes do discurso inaugural, Haddad visitou todos os ambientes do centro e precisou das duas mãos para levantar Vitória, uma cadelinha de três meses. O prefeito posou para fotos e interagiu com ela que, simpática, respondeu com um "cheirinho" no nariz. Com o fim da cerimônia, foi levada para uma gaiola mais antiga e menos espaçosa. Um veterinário explicou que era para não ter risco de reabrir os pontos de uma recente cirurgia de castração.

A nova casa de animais para adoção é mais moderna, arejada e facilita o contato com possíveis "pais adotivos". A expectativa da Prefeitura é que o espaço, com capacidade para atender 200 pessoas por dia, receba mais do que os dez candidatos que, em média, aparecem. Aos sábados e em dias de mutirões a procura chega a ser 15 vezes maior.

Para adotar um bichinho, é preciso apresentar CPF, RG, comprovante de residência, pagar uma taxa municipal de R$ 18,50 e fazer uma entrevista. Cães e gatos são vacinados, castrados, vermifugados e têm microchips de identificação. Já o animal precisa atender a um dos critérios para ser levado ao centro: oferecer risco à saúde pública, ter invadido uma instituição pública ou estiver em risco.

Trazida de uma escola pública há quatro meses, a gatinha Simony estava prestes a ter uma ninhada e apresentava um barrigão tão grande que os cuidadores não tiveram dúvida de como a chamariam. "Parece um balão", comentaram, antes de escolher batizá-la com o nome da cantora que fez sucesso nos anos 1980 como vocalista da Turma do Balão Mágico. Simony já estava sem as duas orelhas quando chegou ao CCZ.

Os agentes de zoonoses suspeitam que Simony teve os órgãos cortados por causa de um possível câncer de pele, mais propício a acometer gatos como ela, de pelos brancos. Apesar do impacto visual, o "detalhe" não deve fazer muita diferença na hora da adoção. "Como é muito dócil e fica o dia inteiro no colo se você deixar, as pessoas podem ficar mais sensibilizadas", diz Talita, que é prontamente atendida quando chama a gata pelo nome. 

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