1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Análise: 'Vias vão abrir espaço nas marginais para mais carros'

'Novamente, vamos investir no surrado modelo que prevê mais avenidas para mais carros'

Creso de Franco Peixoto

- Atualizado:10 Janeiro 2016 | 10h 07

Os Apoios Norte e Sul visam, na verdade, a recapacitar as vias expressas da Marginal do Tietê. Novamente, vamos investir no surrado modelo que prevê mais avenidas para mais carros. É preciso ressaltar, porém, que projetos de mobilidade devem assegurar o máximo de aproveitamento dos recursos aplicados, sob mínimo custo por passageiro ou por unidade de carga transportada. 

Analisando sob esse aspecto, até as linhas de metrô paulistanas, que custam milhões, podem ficar mais baratas do que avenidas de custos equivalentes, se comparada a quantidade de passageiro transportado.

Congestionamento na Marginal do Tietê

Congestionamento na Marginal do Tietê

Basta olharmos pelo retrovisor. A Avenida Pedroso de Morais é um exemplo de via de recapacitação, assim como foi a ampliação da Avenida Brigadeiro Faria Lima, que majorou a capacidade da Marginal do Pinheiros e acarretou forte impacto nos moradores desapropriados, além de considerável custo.

Quanto ao uso do solo urbano, levou anos para que a metamorfose de prédios parcialmente derrubados gerasse o panorama atual dos empreendimentos lindeiros.

As áreas pretendidas para ocupação do Arco Tietê estão praticamente na calha do rio. São estudadas para revitalização há, aproximadamente, duas décadas. Os projetos não saíram do papel em função do alto custo. Caso as novas vias sejam implantadas, haverá considerável impulso para a revitalização do entorno. Por outro lado, a capacidade extra destas "pontes de safena e mamária" às marginais pode estar sujeita à baixa capacidade regional de drenagem veicular e aí o congestionamento das vias expressas se estenderá bairro adentro.

Isso sem falar que estudos de implantação do Arco do Tietê anteriores à entrega do trecho norte do Rodoanel estão sujeitas à célere caducidade em função da forte demanda reprimida da região. 

Cardiologistas dependem do cateterismo para adotar a melhor solução a salvar vidas. Engenheiros, de dados confiáveis e liberdade de tomada de decisão para evitar panaceias que empurrem o problema para futuras gerações.

CRESO DE FRANCO PEIXOTO É MESTRE EM TRANSPORTES

 

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em São PauloX