ANÁLISE: uma lição para os derrotados

Sem entender bem o que acontecia, a presidente Dilma Rousseff, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad reagiram nesse episódio como um boxeador que, dominando a luta recebe um poderoso "huck" no fígado. Explicaram os protestos, oscilando do bordão "é coisa de baderneiro" ao "é impossível rever o reajuste" e chegaram à revisão do aumento que representa a mais expressiva, surpreendente e rápida vitória popular de nossa história. Expressiva por forçar a rendição dos titulares do Estado mais importante do País e de uma das maiores cidades do mundo. Surpreendente porque nem o mais atento analista seria capaz de prever o que aconteceu. E rápida pois, em poucos dias, a coisa - ou pelo menos uma parte, já que as manifestações expressam uma crise de representação política - se resolveu. A rendição conjunta de PSDB e PT, que polarizam a política nacional há 20 anos, não deixa de ser uma lição. Quem aumentou as tarifas em conjunto para dividir desgaste, capitulou junto para evitar vexame. A potência e a capacidade de mobilização das redes sociais, aquilo que o sociólogo Manuel Castells deu o nome de autocomunicação, vão muito além dos internautas remunerados. Ali se expressa a insatisfação, ali se mobiliza e se faz, segundo a segundo, a história moderna.

Rubens Figueiredo,

20 Junho 2013 | 02h04

* RUBENS FIGUEIREDO É CIENTISTA POLÍTICO

Mais conteúdo sobre:
protesto protestos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.