ANÁLISE: no meio da multidão, a pessoa faz coisa que não faria sozinha

A psicologia das massas ajuda a explicar manifestações como essa, que descambam para violência e vandalismo. Quando uma multidão se junta, por qualquer motivo, o comportamento das pessoas deixa de ser individual. É como se fosse uma entidade se comportando: a massa. O indivíduo diminui seus freios e ganha coragem. Como a responsabilidade é dividida, a pessoa acaba fazendo coisas que não faria se estivesse sozinha.

Daniel Martins de Barros, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2013 | 02h02

Isso não significa que seja um comportamento justificável; é compreensível. O comportamento da massa, aliás, nem sempre é negativo. A gente vê reuniões de milhares de pessoas que não descambam para atitudes violentas. A Marcha para Jesus e a Parada Gay são exemplos. São mobilizações que têm um objetivo e esse fundamento é traduzido no comportamento da massa.

Alguns teóricos dizem que esse comportamento nunca é totalmente irracional. Poderíamos arriscar uma interpretação livre: "O aumento da tarifa reduz minha mobilidade e agora vou reduzir a mobilidade da cidade". Não por acaso picharam ônibus e obstruíram o trânsito em vários pontos.

 

* DANIEL MARTINS DE BARROS É COORDENADOR DO NÚCLEO DE PSIQUIATRIA FORENSE DO HC E COLUNISTA DO ESTADÃO.COM.BR

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