Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Combate a crimes contra o patrimônio exige nova estratégia

Queda de homicídios é avanço, mas é preciso reconhecer que há mais perguntas a serem feitas que explicações a serem formuladas

Carolina Ricardo, O Estado de S. Paulo

28 Julho 2015 | 03h00

Para explicar a redução dos homicídios é necessário realizar um diagnóstico das dinâmicas desse crime, além de avaliações aprofundadas das ações implantadas pelas polícias. A queda dos homicídios já é histórica no Estado e há relativo consenso de que foi um conjunto de ações, composto por políticas de reorganização das polícias, de investimento na especialização da investigação, de controle de armas e de prevenção, além de outras hipóteses como a influência do crime organizado, que culminou nesta redução. Sabemos que a receita do bolo funcionou, mas não é possível afirmar quanto de cada ingrediente contribuiu para a queda. 

A queda de homicídios é um avanço, mas é preciso reconhecer que sobre ela há muito mais perguntas a serem feitas do que explicações a serem formuladas. O perfil do homicídio mudou? Polícias Militar e Civil têm trabalhado de forma mais integrada? Há mais crimes esclarecidos? A política de produção de dados tem buscado melhorar a qualidade das estatísticas, tornando-as mais confiáveis? O programa de metas e gestão por resultados implantado em janeiro de 2014 pode ter alguma relação com essa diminuição? 

As mesmas perguntas valem para os crimes contra o patrimônio. Já que a preocupação com eles é mais recente que com os homicídios, é necessário que a política de controle parta da análise objetiva das informações, exigindo que perfis e motivações estejam no topo do dado a ser analisado e da explicação a ser fornecida pelas autoridades.

Enquanto não for adotada uma política de diagnóstico constante, formulada com base nos registros, das investigações e de esclarecimentos, seguiremos a cada divulgação mensal das estatísticas buscando explicações que vão variar segundo o interesse do interlocutor ouvido, sem a objetividade necessária para uma política de segurança pública mais eficiente. 

CAROLINA RICARDO É ASSESSORA SÊNIOR DO INSTITUTO SOU DA PAZ

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