Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Ampliação de bônus fará Sabesp perder R$ 800 milhões

Para economizar água do Cantareira, empresa dará desconto em 31 municípios; investimentos não serão afetados, diz Alckmin

Caio do Valle e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

01 Abril 2014 | 12h39

Atualizada às 22h30

SÃO PAULO - A ampliação do programa de desconto de 30% para quem reduzir o consumo de água em ao menos 20% na Grande São Paulo vai custar até R$ 800 milhões para a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), segundo o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

A extensão do benefício de 11 para 31 cidades começou a vigorar ontem para cerca de 17 milhões de clientes da Sabesp na Região Metropolitana. Antes, a medida estava restrita aos 8,8 milhões que recebiam água diretamente do Sistema Cantareira. Após oito dias de queda, o nível do principal manancial paulista ficou estável ontem, em 13,4% da capacidade.

"O valor vai depender de até quando vai o programa de bonificação. Então, se você imaginar que vai até o fim do ano, pode ficar em torno de R$ 800 milhões. Mas isso só vai se saber de acordo com o período que o bônus ocorrerá", disse Alckmin, durante vistoria a obras do Metrô, na zona sul da capital. O plano vale até dezembro.

Segundo Alckmin, o impacto do desconto não prejudicará necessariamente os investimentos da Sabesp. "Você pode reduzir custeio, você tem ‘n’ formas de redução. O importante é o estímulo para a população fazer o uso racional da água e, com isso, vamos conseguir superar essa que é a maior estiagem dos últimos 84 anos da Região Sudeste do Brasil."

A Sabesp informou que ainda está "em processo de análise e revisão" do orçamento, mas que "não haverá nenhum cancelamento de obras". "De imediato, apenas e tão somente, será feito o alongamento de alguns cronogramas." Anteontem o diretor de Finanças e de Relações com Investidores da empresa, Rui Affonso, disse ao portal Estadão.com.br que cortaria R$ 700 milhões das despesas previstas para 2014 por causa da crise.

Segundo a Sabesp, apenas 37% dos consumidores economizaram pelo menos 20% de água e conseguiram o bônus desde o lançamento do plano, no início de fevereiro. Outros 39% reduziram o consumo, mas não atingiram a meta, e 24% aumentaram os gastos com água no período. Para a presidente da empresa, Dilma Pena, a adesão é afetada pela falta de medidores de consumo individuais nos condomínios.

Contingência. O prefeito Fernando Haddad (PT) disse ontem que as administrações da Grande São Paulo vão se reunir com Alckmin nesta quinzena para discutir a crise de estiagem. "Acho que a primeira providência é fazer uma grande reunião para que a Sabesp apresente seu plano de contingência, para que nós possamos ajudar na medida das nossas possibilidades o governo do Estado a gerenciar essa crise de água", disse Haddad.

O comitê anticrise que monitora o Cantareira deu 15 dias para que a Sabesp apresente um plano para captação de água do manancial até o fim do ano. Segundo a companhia, o "volume útil" do manancial pode se esgotar até 21 de junho. A partir de então, a empresa terá de captar água do volume morto, abaixo do nível das comportas. Para isso, a Sabesp está executando obras de R$ 80 milhões.

 

 

 

 

 

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