Amizade com compositor nasceu em 1938, num estúdio de rádio

E há 55 anos Ernesto Paulelli se dedica a desmentir a fama de 'furão' que ganhou após canção ficar famosa

, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2010 | 00h00

É batata. Ernesto Paulelli sabe muito bem. Basta ser reconhecido por alguém e, pronto, já tem de responder a primeira (óbvia) pergunta, que vem sempre em tom de repreensão:

- Por que você deu bolo no Adoniran Barbosa, Arnesto? Não custava ter deixado ao menos um bilhetinho na porta?

"O Adoniran é um fanfarrão", apressa-se em justificar, com um eterno sorriso paciente nos lábios. "Nunca o convidei para um samba em casa." Uma vez, aliás, quando Arnesto cobrou uma satisfação do músico, pela "história mal-contada", a resposta veio pronta, na voz rouca característica dele:

"Arnesto, se não tivesse mancada não tinha samba. Segura essa pra mim!"

Teve de segurar. Tem de aturar até hoje.

Amizade. Arnesto e Adoniran se conheceram em 1938, quando ambos trabalhavam nas rádios paulistanas. O primeiro bate-papo foi no estúdio da Record, então no 13.º andar da Rua Conselheiro Crispiniano, no centro de São Paulo.

"Ele logo me chamou de Arnesto", conta, lembrando do sotaque típico do músico. "E disse que meu nome dava samba." A homenagem veio quase 20 anos depois, em 1955. "Foi a maior emoção da minha vida", confessa Paulelli.

Tempos depois, Adoniran deu a ele um presente valioso, guardado até hoje: a partitura número 001 da música. E veio com a seguinte dedicatória histórica: "Ao acadêmico Ernesto Paulella, a quem dediquei esta composição quando do seu lançamento, em maio de 1955. Homenagem do autor, Adoniran." Para o músico, a criação da melodia havia os transformado em, mais que amigos, compadres. / E.V.

QUEM FOI

ADONIRAN BARBOSA

COMPOSITOR, CANTOR,HUMORISTA E ATOR

Nascido em Valinhos (SP) em 1910, João Rubinato adotou o pseudônimo Adoniran Barbosa para se tornar o maior cronista musical paulistano. São de sua lavra clássicos como Saudosa Maloca, Trem das Onze, Tiro ao Álvaro e Samba do Arnesto. Também foi humorista e ator de rádio. Boêmio e contador de histórias, vivia cheio de amigos. Morreu em 1982.

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