Aluna denuncia estupro em festa da Medicina da Unesp em Botucatu

De acordo com a estudante, ela teria aceitado uma carona oferecida por veteranos que a levaram a uma festa onde foi forçada a beber e manterrelações sexuais

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

28 Abril 2014 | 18h22

Atualizada às 20h06   SOROCABA - Uma aluna do 1.º ano da Faculdade de Nutrição da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Botucatu, denunciou ter sido estuprada por um veterano durante uma festa promovida por estudantes de Medicina, no fim de semana.

De acordo com a estudante, ela teria aceitado uma carona oferecida pelos veteranos que, em vez de levá-la para casa, a conduziram até a festa. No local, ela foi forçada a ingerir várias doses de bebidas alcoólicas e a manter relações sexuais com um dos veteranos. O evento faria parte de um "trote" aplicado pelos veteranos a calouros da universidade.

A garota procurou a Delegacia de Defesa da Mulher para registrar a denúncia de estupro. Ela, porém, não conseguiu fornecer as características físicas do agressor. A vítima realizou exames no Instituto Médico-Legal e a Polícia Civil aguarda os laudos para abrir inquérito.

Violência. O caso não é o único de violência sexual envolvendo veteranos e calouros do câmpus de Botucatu. Um grupo de estudantes criou um blog para discutir as práticas violentas que ocorrem durante o trote. O período de recepção aos alunos se estende do início das aulas, em março, à segunda semana de maio.

No blog, são relatados casos de estudantes que abandonaram o curso depois de terem sido submetidos a trotes violentos, humilhantes e com conotação sexual, incluindo estupro. As práticas ocorrem fora do câmpus, em festas organizadas nas repúblicas de veteranos. Os calouros que se negam a participar são excluídos.

A alunas novatas são abordadas na saída do câmpus e obrigadas a aceitar carona dos veteranos, que as levam para suas repúblicas. "As moças são levadas para repúblicas masculinas onde são humilhadas e até mesmo estupradas", denunciou uma internauta. O coletivo de estudantes vai pedir ao Ministério Público que investigue os casos.

Sindicância. A Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu informou, por meio de nota, que os "supostos casos de estupro e de trotes violentos envolvendo alunos vêm sendo objeto de processos administrativos em sindicância para que sejam feitas as devidas apurações". "Uma comissão foi nomeada e já trabalha nas investigações, que estão sob sigilo para preservar os envolvidos", afirma. O trote é proibido, e as punições variam conforme a gravidade do caso, podendo chegar à expulsão. Segundo a universidade, alunos são orientados sobre os "canais de denúncia disponíveis para aqueles que julgam ter sofrido ou presenciado abusos de qualquer natureza".

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