Aluguel por três anos custaria R$ 138,9 mi

Suspensão do contrato foi anunciada ontem, depois de reportagem do 'Estado'

FELIPE FRAZÃO, DIEGO ZANCHETTA , RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2011 | 03h07

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) mandou suspender o aluguel de 10.041 tablets para profissionais da administração pública. O Estado revelou, na edição de ontem, que o aluguel dos aparelhos por três anos custaria R$ 138,9 milhões, cinco vezes mais do que o valor de compra do tablet mais caro disponível no mercado. Além disso, o dono da empresa contratada foi condenado por fraudes em contratos de inspeção veicular e está foragido da Justiça.

Kassab disse ontem que o aluguel está suspenso até que o contrato seja esclarecido. "Pedi que seja apurado e esclarecido para a opinião pública", disse o prefeito. Não há prazo para que a investigação da Prefeitura sobre o contrato seja finalizada. Caso não houvesse suspensão, os primeiros equipamentos teriam de ser entregues em cerca de 30 dias.

O presidente da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município (Prodam), Cesar Kiel, disse que a justificativa para o preço milionário do aluguel são as características específicas do modelo, como a robustez, a resistência a quedas, poeira e chuva. Ele afirmou que "com certeza" foi o melhor custo-benefício, porque a empresa fez pesquisas de mercado para avaliar os custos.

Kiel afirmou que o preço também incluiria o aluguel de impressoras portáteis e suprimentos de impressão. Esses serviços, porém, não estão incluídos no contrato assinado para o aluguel dos tablets e fazem parte de um lote separado. Pelo aluguel de 7.163 impressoras e suprimentos, a Prodam iria pagar mais R$ 74,7 milhões para uma outra empresa, a RB Code.

Ao Estado, o presidente da Prodam afirmou que já prepara uma nova licitação para o aluguel de 750 tablets a serem usados por fiscais de subprefeituras. A empresa quer testar se consegue baixar o preço unitário ao exigir menor cobertura do seguro. Mas reconhece que isso será definido apenas pelo mercado. "Visualizamos que diminuir o seguro poderia reduzir o preço."

Modelo. A Prodam disse que o tablet fornecido pela Neel Brasil, vencedora de um pregão eletrônico feito pela empresa em novembro, seria o CL900, fabricado pela Motion Computing e sem comercialização no Brasil. Um modelo com especificações similares às exigidas pelo edital custa cerca de R$ 2,3 mil em sites estrangeiros de varejo.

O valor de cada unidade é cerca de R$ 300 mais baixo do que o top de linha da Apple, o iPad 2, o mais caro comercializado no Brasil. Ontem, a reportagem mostrou que o valor gasto com o aluguel de cada aparelho por três anos seria de cerca de R$ 14 mil, mais de cinco vezes o preço do tablet da Apple. A empresa preferiu não se manifestar ontem e afirmou que está "resolvendo" as questões judiciais relativas ao seu proprietário.

Câmara. Outros órgãos públicos da cidade também estão de olho nos computadores portáteis. Os 55 vereadores de São Paulo também vão ter tablets em 2012 pagos com verba do orçamento da Câmara. O pregão eletrônico para a aquisição de aparelhos Samsung Galaxy pelo valor de R$ 174,82 mensais - o pacote inclui internet 3G - foi encerrado ontem. Por ano, o aluguel de cada aparelho vai sair por R$ 2.100 mensais, menos da metade dos R$ 4.600 que a Prefeitura pagaria por seus tablets.

A vencedora do pregão da Câmara foi a Claro. Cada vereador ainda terá direito a usar 200 mensagens de texto por mês, além de assistência técnica.

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