Alckmin volta a falar em 'vandalismo' e Haddad só fará reunião após protesto

Um dia após o protesto mais violento contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo, com confrontos e forte reação da Polícia Militar, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) manteve ontem duro discurso. Ele classificou as manifestações do Movimento Passe Livre (MPL) como ações "políticas" e "vandalismo". Já o prefeito Fernando Haddad (PT) convidou lideranças do grupo para uma reunião no Conselho da Cidade na terça-feira - um dia antes, deve ocorrer novo ato no Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste.

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2013 | 02h07

A mudança de postura da Prefeitura, que chegou a afirmar que a violência impedia o diálogo com o MPL, aconteceu depois de Haddad condenar a violência policial nos protestos de anteontem. Reverter o aumento da passagem, que passou de R$ 3 para R$ 3,20 no dia 2 deste mês, está fora de cogitação, já afirmou o prefeito.

O MPL foi convidado a fazer uma apresentação diante dos conselheiros VIPs da cidade, como o rapper Mano Brown, o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa e o ex-piloto de Fórmula-1 Emerson Fittipaldi.

O estudante de História da Universidade de São Paulo (USP) Caio Martins, de 19 anos, representante do movimento, afirmou ser positiva a iniciativa. Ele disse, no entanto, que a presença do grupo na reunião ainda vai ser discutida coletivamente. "Haddad deu várias entrevistas falando que chamou o movimento para conversar, mas é a primeira vez em que isso acontece", afirmou.

A Assessoria de Imprensa da Prefeitura informou que só dará mais detalhes sobre a reunião na segunda-feira, o que inclui ainda a confirmação da ida de Haddad ao encontro.

Alas do Partido dos Trabalhadores são simpáticas ao movimento, como a Juventude do PT, que encampou a bandeira pela redução da tarifa de ônibus municipal.

O Movimento Existe Amor em SP, responsável por protesto às vésperas da eleição que reuniu simpatizantes de Haddad, criticou o prefeito por não apoiar os atos.

Estado. De manhã, em evento para anunciar a Operação Delegada da PM em cidades do interior, Alckmin criticou o MPL. "O que nós vimos nos últimos dias foi um ato de vandalismo, de violência, deixando um verdadeiro rastro de destruição e um movimento político", disse. Ele afirmou que a PM trabalhou para "proteger" os manifestantes e eventuais abusos serão apurados "de forma rigorosa". O governador não respondeu a perguntas de jornalistas.

Em meio à tensão política, o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), condenou a "falta de indignação" de Haddad. "Falta nos pronunciamentos do prefeito Haddad a indignação de um responsável pela vida da cidade, pelo convívio da cidade, pelos serviços públicos da cidade", disse o senador.

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