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Alckmin vai ao Planalto e pede ajuda de Dilma para evitar racionamento em SP

Sonia Racy, Pedro Venceslau, Fabio Leite e Tânia Monteiro - O Estado de S. Paulo

18 Março 2014 | 23h 59

Abastecimento. O governador pediu auxílio para aprovar a construção de um novo canal de 15 km que interligará o Sistema Cantareira, que registra seguidos recordes negativos de capacidade, ao Vale do Paraíba; governo federal teme rodízio durante a Copa

BRASÍLIA - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi nesta terça-feira, 18, a Brasília para pedir ajuda do governo federal para evitar o racionamento de água em São Paulo. No dia em que o Sistema Cantareira voltou a bater recorde histórico de baixa capacidade (14,9%), ele teve uma audiência com a presidente Dilma Rousseff (PT), no Palácio do Planalto.

Alckmin estava acompanhado da presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena. Já a presidente da República convocou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e representantes da Agência Nacional de Águas (ANA). Entre os assuntos tratados estava o pedido feito pelo governo paulista à agência para a construção de um novo canal de 15 km que interligará o Sistema Cantareira à Represa de Igaratá, no Vale do Paraíba - como foi adiantado nesta terça-feira à noite pelo blog Direto da Fonte.

A medida, que precisa de permissão da agência, reforçaria o sistema, que abastece grande parte da capital e da Grande São Paulo. Polêmica, a ação terá efeito a médio prazo.

Participe. Está faltando água no seu bairro? Mande o endereço para o Estado por meio do WhatsApp: o número é  (11) 9-7069-8639. Você também pode postar uma mensagem localizando a rua ou avenida no Twitter ou no Instagram. É só usar a hashtag #Estadaoagua ao lado da informação.

O Palácio do Planalto estava afastado do problema de abastecimento de água, tentando deixá-lo a cargo do governo do Estado de São Paulo. Mas, com a continuada redução dos níveis nos reservatórios e com a proximidade do início do período de estiagem, em abril, o governo federal decidiu ajudar, temendo que os reflexos de um racionamento possam também atingi-lo, ainda mais em ano eleitoral.

Há também uma preocupação que a falta d'água possa se estender até às vésperas do início da Copa do Mundo de Futebol, em meados de junho. Para evitar isso, será usado o volume morto. A Sabesp já anunciou o investimento de R$ 80 milhões para explorar os cerca de 400 milhões de metros cúbicos armazenados nos fundos do reservatórios. A previsão é de que as obras terminem em maio.

Paralelamente, a concessionária paulista adotou uma série de medidas para garantir o abastecimento da Grande São Paulo. Além de incentivar a redução do consumo de água com descontos nas tarifas, a Sabesp vai transferir o atendimento de até 3 milhões dos 8,8 milhões de consumidores abastecidos pelo Cantareira na capital paulista para os Sistemas Alto Tietê e Guarapiranga.

Em queda. O volume de água armazenado nos reservatórios do Sistema Cantareira registrou mais uma queda ontem, de 0,1 ponto porcentual, passando para 14,9%, novo recorde negativo desde a criação, há 40 anos.

De acordo com a Sabesp, há um ano o índice era de 59,4%. O problema ainda é pontual: nesta terça, o índice do Sistema Alto Tietê estava em 37,8% e o do Guarapiranga, em 76,1%.

A escassez prolongada do verão é a principal causa para os baixos níveis do sistema. Em janeiro, choveu apenas 36% da média histórica. Em fevereiro, a pluviometria acumulada sobre o Cantareira alcançou 33,8% do previsto. Em março, o volume de precipitações está dentro da média, tendo chovido até hoje cerca de 79% do esperado para o mês. As chuvas, no entanto, não foram suficientes para a recuperação dos mananciais. / COLABOROU GABRIELA VIEIRA

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