Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Alckmin promete avisar sobre racionamento em São Paulo com 'ampla antecedência'

Para governador de SP, o que ocorre atualmente é uma redução do consumo; Alckmin avalia que a crise é 'muito bem' administrada

CHICO SIQUEIRA, Especial para o Estado

31 Janeiro 2015 | 13h13

ARAÇATUBA - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse neste sábado, 31, que a Sabesp não vai tomar nenhuma medida de racionamento "sem ampla antecedência" e comunicação à população. Como adiantou o Estado, o governo estuda introduzir um racionamento de quatro dias sem água e dois com na Grande São Paulo. Mas por enquanto, segundo Alckmin, seu governo aposta na redução do consumo com bônus,  sistema de redução de pressão e distribuição de caixas d'água para moradores carentes. 

"Não tem decisão nenhuma tomada sobre racionamento. O que temos é a redução de consumo, através do bônus, os sistema redutor de pressão durante a madrugada, o que reduz as perdas físicas, e distribuição de caixas d'água, possibilitando às famílias fazerem uma reserva de 24 horas sem sentir a válvula redutora da pressão, porque sem a caixa, o sistema pode fazer o morador ficar sem água", explicou o governador.

Para o governador, "a Sabesp está administrando a crise hídrica muito bem, e não tomaremos nenhuma medida de racionamento sem ampla antecedência e comunicação para a população".

Além das medidas de redução de consumo, Alckmin disse que seu governo está fazendo "obras ininterruptas" e que uma delas, para aliviar o sofrimento da população, deverá entrar em funcionamento em maio. Segundo Alckmin, as obras de interligação do rio Grande, afluente da Billings, com o sistema Alto Tietê, têm início em fevereiro.

"Vamos iniciar  já nas próximas semanas, ainda em fevereiro,  a interligação do Rio Grande  até represa Taiaçupeba, e quero agradecer a presidente Dilma por nos ceder a área do gasoduto, que vai possibilitar a ligação", afirmou. Segundo o governador, a obra aumentará a oferta de água para cerca de 1,2 milhão de consumidores. "Ela deverá garantir a partir de maio mais 4 metros cúbicos por segundo; cada metro cúbico é suficiente para abastecer 300 mil pessoas e essa obras agrega 4 metros por segundo", afirmou.

Alckmin também anunciou para "no máximo em 90 dias" o início das obras de ligação dos reservatórios Atibainha-Jaguari, avaliadas em cerca de R$ 830 milhões. "Isso será possível porque a obra foi enquadrado no Regime Diferenciado de Concorrência (RDC), que é mais rápido. É uma obra histórica que vai ligar duas grandes bacias, a do rio Paraíba do Sul através do Jaguaribe, com a bacia do PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí) através da represa do Atibainha", afirmou. 

Segundo o governador, a importância da obra está em possibilitar o aumento da reserva de água por conta da vazão nos dois sentidos. "É uma obra de mão dupla, com 15 quilômetros, a maioria em túneis. Com ela, a água do Atibainha pode ir para o Jaguaribe e a do Jaguaribe pode ir para o Atibainha. Você dobra a capacidade de reserva, com isso a água do Cantareira  que é de 900 milhões passa a ter 1,1 bilhão a mais com o Jaguaribe e vice-versa", declarou. "É uma obra histórica e importante que esperamos iniciá-la no máximo em 90 dias e acelerá-la ao máximo", afirmou. 

Alckmin argumentou que a baixa vazão do Jaguaribe, de 1,7% de sua capacidade, vale apenas para a reserva destinada à geração de energia elétrica. "Isso é para efeito de energia, porque ele estiver no nível zero, ainda teremos 430 milhões de metros cúbicos de água, e o se pretende utilizar é 5 metros cúbicos por segundo", afirmou. "Durante um ano, isso dá 160 milhões de metros cúbicos", completou.

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