Alckmin: 'Não vamos transformar a maior seca em picuinha política'

Governador de São Paulo rompeu o silêncio nesta quinta-feira e negou que haja racionamento noturno de água na capital, como afirma a prefeitura

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2014 | 11h26

SÃO PAULO - Após o silêncio durante toda a quarta-feira, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), rebateu nesta quinta-feira, 17, a afirmação da gestão Fernando Haddad (PT) de que há racionamento noturno de água na capital paulista e disse que não vai tornar a crise de seca em "picuinha política". 

"Não vamos transformar a maior seca das últimas décadas em picuinha política", disse Alckmin, sobre a declaração do secretário municipal de Governo, Francisco Macena (PT) de que a redução em 75% da pressão da água na rede de abastecimento da cidade entre meia-noite e cinco da manhã é racionamento. Alckmin e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) negam.

O racionamento noturno consta de ofício distribuído terça-feira por Macena a gestores municipais e revelado pelo Estado. No documento, o petista alerta que a redução da pressão na água pode deixar órgãos públicos situados em bairros altos sem água no período da noite. A mesma consequência foi apontado por engenheiros ouvidos pela reportagem. "Isso é uma forma de racionamento", disse Macena, que cobrou "transparência" da Sabesp.

O diretor metropolitano da estatal, Paulo Massato, reagiu e classificou de "irresponsável" a declaração de Macena. Em nota, ele afirmou que é "no mínimo lamentável que gestores públicos usem uma reunião de natureza técnica para deturpar declarações com objetivos político-eleitorais". Segundo Macena, a redução da pressão da água foi informada por Massato na últma segunda-feira, durante reunião do Comitê Gestor de Água e Esgoto da capital. 

Segundo a Sabesp, a medida é necessária para fazer a reversão de água dos sistemas Guarapiranga e Alto Tietê para regiões que eram abastecidas pelo Sistema Canatreira, que atraves a pior crise de sua história e está com apenas 12,2% da capacidade. "Nunca foi dito por mim nem por nenhum funcionário da Sabesp que a companhia pratica qualquer tipo de rodízio ou racionamento. Por uma única razão: não há rodízio, nem racionamento nos municípios em que a Sabesp atua", disse Massato.

O secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, também negou na quarta-feira a prática de rodízio. "É mentira dele (Macena)", disse Arce. Alckmin participou de dois eventos públicos na quarta-feira, mas deixou as coletivas de imprensa sem responder às perguntas sobre racionamento feitas pelos jornalistas. A manifestação do governador ocorreu apenas nesta quinta-feira.

Segundo Alckmin, a adesão da população ao plano de descontos da Sabesp tem feito com que não haja necessidade de racionamento até agora. "76% da população tem feito uso racional da água o que tem possibilitado nós enfrentarmos a maior estiagem dos últimos 84 anos sem racionamento nem rodízio", disse o governador.

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