Alckmin dá 'nota 10' a manifestação e critica ação de 'infiltrados'

Alckmin dá 'nota 10' a manifestação e critica ação de 'infiltrados'

Governador defendeu ação da Polícia Militar contra a "depredação de bens públicos e privados e pela segurança das pessoas"

Edgar Maciel e Karla Spotorno, O Estado de S. Paulo

10 Janeiro 2015 | 15h44

Atualizado às 17h26

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu a ação da polícia sobre o que chamou de "infiltrados" na manifestação realizada nesta sexta-feira, 9, pelos integrantes e simpatizantes do Movimento Passe Livre na capital. Alckmin afirmou que a manifestação em si foi "nota 10". Neste sábado, 10, o comércio da região da Paulista tirou o dia para contabilizar os danos e fazer os primeiros reparos depois das depredações. Pelo mês três bancos, duas concessionárias e duas lanchonetes sofreram danos. 

"As manifestações são sempre positivas e fazem parte da democracia. O que não é possível, e a polícia tem de agir, é contra a depredação dos bens públicos e privados e a segurança das pessoas", afirmou Alckmin.

Depois do tumulto causado pelos integrantes do movimento Black Bloc, a polícia usou bombas de gás e balas de borracha contra os manifestantes. Houve 53 prisões. Na madrugada de hoje, 52 pessoas foram liberadas. Apenas um jovem continua preso e será indiciado por dano qualificado. Pelo menos seis pessoas ficaram feridas na confusão. O fotógrafo do Estado, José Francisco Diorio, foi ferido no olho por uma pedra. Diorio estava com capacete e proteção ocular no momento da confusão e, mesmo assim, teve um aprofundamento da região ocular. Ele foi conduzido ao hospital e liberado pelos médicos neste sábado.

"A polícia tem de agir. Se houver algum exagero (no uso de gás lacrimogêneo, balas de borracha violência), a polícia tem a corregedoria", disse o governador, logo depois de inaugurar a UTI adulta do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, na zona leste da capital paulista. 

O governador afirmou que espera para o início de fevereiro a votação do projeto de lei que dá passe livre de ônibus, trem e metrô para os estudantes de escolas públicas dos ensinos básico (fundamental e médio) e técnico. De acordo com o PL, os estudantes do ensino superior da rede pública, classificados como de baixa renda, e os alunos de universidades particulares cadastrados em programas sociais, como o ProUni, também terão direito à gratuidade. O projeto tramita na Assembleia Legislativa e foi encaminhado, segundo Alckmin, em regime de urgência.

Ao ser questionado se essa proposta será suficiente para responder às demandas dos manifestantes, Alckmin respondeu que o projeto de lei se soma a outras ações. Somadas, as iniciativas, na avaliação do governador, são uma boa resposta ao que pede parte da população.

Além da gratuidade para estudantes, Alckmin citou a existência do passe livre para idosos, desempregados e portadores de deficiência e também a explicação do por que a passagem ter aumentado tanto - de R$ 3,00 para R$ 3,50. "Ficamos sem reajuste desde 2011. E, infelizmente, a inflação no Brasil não é baixa", disse. Alckmin destacou que o reajuste de quase 17% foi menor que a inflação acumulada no período.

Reparos. Na esquina da Rua Augusta com a Matias Aires, as concessionárias da Toyota e da Kia tiveram 10 vidros quebrados ao total. O gerente da Toyota, Tales Mosca, conta que por volta das 19h estava fechando a loja quando cinco homens apedrejaram a lateral do prédio. “Dobrei a esquina e os seguranças já me ligaram avisando da quebradeira. Essa é a segunda vez que fomos alvos do protesto.” Em 2013, os black blocs também atacaram a fachada da concessionária. O prejuízo foi superior a R$ 5 mil. Desta vez, os gastos com os reparos somam mais de R$ 10 mil. "Colocamos tapumes hoje a tarde, e a seguradora deve consertar até semana que vem. Mas estou pensando se vale a pena porque na próxima sexta já tem novo protesto e vão quebrar tudo de novo", ponderou.

Nas ruas, equipes da Prefeitura recolhiam os lixos jogados pelos manifestantes. As agências bancárias também passaram por reparos. No Santander da Avenida Consolação, um grande tapume provisório bloqueia a entrada. Na Avenida Angélica, onde black blocs depredaram caixas eletrônicos do Banco do Brasil, equipes contratadas pelo banco estavam reconstruindo as máquinas. "Começamos a trabalhar as 4h da manhã e vamos até domingo trabalhando. Na segunda-feira a agência precisa estar toda recuperada", disse Antônio Alvares, 53, um dos funcionários contratado.

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