‘Ainda sonho com o barulho, era como um terremoto’, diz vítima de tromba d'água

Casal não consegue dormir na mesma casa após a tragédia; bairro atingido por enchente ainda conta com 12 famílias

O Estado de S. Paulo

10 Janeiro 2015 | 19h31

Todo fim de tarde, o sitiante Renê Lopes de Almeida e sua mulher, Faustina Matos de Almeida, ambos de 62 anos, fecham sua moradia no bairro Guarda Mão, zona rural de Itaoca, e vão dormir na casa de um filho no Lajeado. “Desde a tragédia não conseguimos mais ficar à noite aqui. Ainda sonho com o barulho, era como um terremoto”, conta a mulher. A várzea onde Renê plantava milho e feijão virou um imenso pedral. “Meus vizinhos morreram quase todos, foram 21 mortos só aqui”, diz Renê.

Mesmo com medo, o casal também não consegue abandonar o sítio onde vive há 40 anos, apesar de toda a área ter sido condenada pela Defesa Civil. “Disseram que temos de mudar, mas cada árvore aqui eu que plantei”, diz Renê. Das 40 casas do Guarda Mão, 28 foram levadas pela avalanche de água, lama e pedras que desceu pelas encostas. A Defesa Civil considerou que toda a área é de risco e determinou a saída dos moradores, mas houve resistência dos que não foram atingidos diretamente.

De acordo com o prefeito Rafael Camargo, 12 famílias continuam no Guarda Mão e, como se negam a deixar as casas, a Defesa Civil pediu novos laudos ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e Instituto Geológico (IG) para definir a situação. “Agora temos um sistema de alerta para avisar as famílias.” 

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