Ainda é cedo para crer em nova escalada

Análise

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2010 | 00h00

Ainda é cedo para apontar uma tendência de alta nos assassinatos em São Paulo, apesar do crescimento de 12% registrado no primeiro trimestre na capital. O aumento por enquanto é isolado e não significa que os índices vão voltar a crescer continuamente, como ocorreu na cidade entre os anos de 1975 e 1999, quando as taxas de homicídios explodiram, passando de 8 homicídios por 100 mil habitantes para 53 por 100 mil.

Mas já é importante acender o sinal de alerta e tentar compreender prováveis causas. Em primeiro lugar, vale a pena prestar atenção em um eventual crescimento no total de armas frias circulando em São Paulo. Isso pode ser constatado a partir de números e informações policiais.

No ano passado, foram apreendidas 5.262 no Estado, total 4,5% maior do que no período anterior. Além disso, policiais de narcóticos paraguaios, policiais federais e promotores da região de Guaira, no Paraná, com quem o Estado conversou, apontam a participação de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no tráfico de armas. Essa região da fronteira é uma das principais portas de entrada desse tipo de contrabando.

O reflexo aparece nos números da criminalidade. No ano passado, além de o Estado bater recordes de roubo, constatou leve tendência no total de homicídios. Na capital, além dos assassinatos crescerem no primeiro trimestre, aumentaram também os casos de resistências seguidas de morte, quando o óbito ocorre em suposto confronto com a polícia, e as mortes de policiais em serviço.

Já o crescimento contínuo de assassinatos ocorre, normalmente, acompanhado de mudanças estruturais significativas. Em Medellín, por exemplo, os homicídios cresceram 177% em dois anos depois da extradição de um grande traficante para os Estados Unidos, causando um racha no crime cujos efeitos migraram para as comunas da cidade. Mudanças com essas dimensões ainda não foram detectadas em São Paulo. Mas é preciso ter cuidado. Os homicídios são o tipo de crime que se espalha rapidamente, a partir de "efeitos bola de neve". Tomar providências só depois de grandes escaladas é algo que o Estado não deve admitir.

É JORNALISTA DE "O ESTADO DE S. PAULO"

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