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Agentes penitenciários em greve ameaçam abandonar presídios em SP

Chico Siqueira, Laura Maia de Castro e Ricardo Brandt - O Estado de S. Paulo

20 Março 2014 | 15h 43

Tropa de Choque da Polícia Militar tenta garantir a transferência dos detentos; houve tumulto na região de Presidente Prudente, na capital paulista

SÃO PAULO - Soldados da Tropa de Choque da Polícia Militar tentam garantir a transferência de presos no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Ciauá, na região de Presidente Prudente. Cerca de 300 agentes se posicionaram na frente do presídio, mas foram empurrados pela Troca de Choque, que cortou cadeados e correntes e conseguiu entrar no presídio.

Vinte viaturas com dezenas de presos das cadeias e delegacias da região, esperam que os PMs da Tropa de Choque consigam abrir as portas que dão para a entrada ao pátio das celas para deixar os presos. As portas foram trancadas por cerca de 20 agentes que estão dentro do presídio, mas os grevistas ameaçam abandonar os postos, sair do presídio e deixa a unidade inteira - que está com cerca de 1.500 detentos - sob responsabilidade da PM.

"Se a PM conseguir entrar, os agentes receberam orientações para entregar as chaves e deixá-los tomando conta do presídio", contou Luiz Silva Filho, diretor do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp). Segundo ele, delegados chegaram acompanhados de oficiais de Justiça para dar ordens de prisão a agentes grevistas.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta quinta-feira, 20, que espera que o bom senso prevaleça ao tratar da greve dos agentes penitenciários no Estado. "Há uma decisão da Justiça que diz R$ 100 mil de multa por dia por unidade penitenciária se não garantir a transferência de presos para internar no sistema ou a visita e atendimento aos presos. Então é decisão judicial. Espero que o bom senso prevaleça e a gente resolva rapidamente", afirmou Alckmin.

Campinas e São Paulo. A Força Tática da Polícia Militar retirou à força o grupo de aproximadamente 25 agentes penitenciários, em greve, que bloqueavam a entrada do complexo penitenciário Campinas/Hortolândia. A medida foi tomada para permitir a entrada de um comboio com 58 presos transferidos de uma cadeia de Campinas, que eram acompanhados pela Polícia Civil

Em São Paulo, na zona leste, a Tropa de Choque também foi acionada para garantir que policiais civis entrassem com cerca de 100 presos no Centro de Detenção Provisória Chácara Belém. Agentes penitenciários tentaram impedir a chegada dos presos, mas segundo a Polícia Militar, os detentos foram recebidos.

Também foram registrados tumultos em Capela do Alto, em São José do Rio Preto, e Mogi das Cruzes. No CDP de São José do Rio Preto, cerca de 70 agentes fizeram um cordão humano para impedir que viaturas da Polícia Civil e da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) deixassem cerca de 50 presos da cadeia pública de Penápolis e de carceragens de outras cidades do interior. As viaturas ficaram do lado de fora, sob escolta da PM, que reforçou o policiamento no entorno do presídio. Depois de quase uma hora de conversa com os agentes, a polícia deixou o local retornando com as viaturas para seus locais de origem.

Determinação. O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, disse na manhã desta quinta-feira, 20, que, enquanto durar a greve dos agentes penitenciários, a polícia vai realizar a transferência de presos das carceragens das delegacias para presídios administrados pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Segundo ele, as oito delegacias de trânsito da capital têm 276 vagas e chegaram a abrigar 756 pessoas.

"Já estamos equacionando isso: em conjunto com a SAP montamos um esquema que vai permitir a inclusão de parte desses presos, que são condenados e foram recapturados, e a parte que ainda são presos processuais, que respondem a processos. Ontem mesmo tivemos uma reunião conjunta (Polícia Civil, Polícia Militar e SAP). Algumas medidas já estão sendo implementadas a partir de hoje, e elas tendem a reverter esse quadro nos próximos dias. Mas está sobre controle", afirmou Grella, após participar do seminário "Diálogos de Segurança Cidadã", promovido pelo Instituto Igarapé, na zona sul do Rio de Janeiro.