Agente que disparou ao entrar em DP é indiciado por homicídio

Episódio que levou à morte do médico Ricardo Seiti Assanome, baleado dentro do 2º Distrito Policial de Santo André, está sendo investigado pela Policia Civil

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

28 Abril 2014 | 13h14

Atualizada às 15h11

SÃO PAULO - O agente de telecomunicações André Bordwell da Silva, responsável pelos disparos que mataram o médico Ricardo Seiti Assanome, de 28 anos, dentro do 2º DP de Santo André no sábado, 26, foi indiciado por homicídio doloso - quando há intenção de matar. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o policial será preso em flagrante assim que deixar o hospital, onde está internado sob escolta policial. O caso está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Civil.

De acordo com a SSP, o tiroteio que aconteceu na delegacia começou quando policiais civis confundiram a entrada de um policial militar à paisana, que estaria fugindo de criminosos que o perseguiam, com um ataque de bandidos.

No tumulto, as pessoas que estavam lá para registrar ocorrências, como Assanome, correram para as áreas internas do DP na tentativa de se proteger. Segundo a SSP, foi neste momento que Bordwell teria atirado contra as pessoas por acreditar que se tratava de uma ação de criminosos no distrito policial. Duas pessoas foram baleadas, entre elas o médico que não resistiu aos ferimentos.

Ainda de acordo com a secretaria, durante a confusão um investigador também fez um disparo, acertando o agente de telecomunicações. Os criminosos que estariam perseguindo o PM que entrou na delegacia fugiram e não fizeram disparos nem tentaram entrar no local.

Enterro. Cerca de 200 amigos e familiares acompanharam o velório e o enterro de Assanome nesta segunda-feira, 28, no Cemitério Municipal Bairro Paulicéia, em São Bernardo do Campo.

A mãe do medico chegou ao local pouco antes das 11h amparada pelos dois braços, chorando e gritando.

Segundo uma amiga da namorada de Assanome, ele e Cintia Akemi estavam planejando se casar no final deste ano depois de mais de 10 anos juntos. "Estava quase tudo pronto", lamentou.

Uma professora do médico lamentou a morte na saída do cemitério e disse que ela tem de trazer reflexão para a população. "Essa guerra de gente inocente morrendo todo dia não dá mais.Precisamos parar e refletir que rumo isso vai tomar na vida da gente porque não é possível perder um jovem que podia estar começando uma vida dessa maneira", disse Denise de Oliveira.

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