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Agência anuncia acordo para reduzir captação do Cantareira; SP nega

Fabio Leite - O Estado de S. Paulo

29 Agosto 2014 | 16h 57

Vazão anunciada para novembro pela ANA representa redução de 13,2% em relação ao permitido hoje; Estado diz que não há decisão

Atualizada às 21h30

SÃO PAULO - Após 45 dias de impasse sobre a crise do Sistema Cantareira, a Agência Nacional das Águas (ANA) anunciou nesta sexta-feira, 29, ter chegado a um acordo com o governo paulista para reduzir novamente o volume que pode ser retirado do manancial pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para abastecer a região metropolitana. O acerto, porém, foi negado pela Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, indicando novo conflito entre os governos Dilma Rousseff (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

Segundo a ANA, foi acordado com o Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), em uma reunião do comitê anticrise do Cantareira iniciada no dia 21 de agosto, que a partir do dia 30 de setembro a Sabesp deverá retirar do manancial no máximo 18,1 mil litros por segundo em média. Ainda de acordo com órgão federal, o índice cairá para 17,1 mil litros por segundo a partir do dia 31 de outubro. A reunião, afirma a ANA, será concluída na próxima quarta-feira, quando as regras serão publicadas.

A vazão anunciada para novembro pela agência representa redução de 13,2% em relação ao volume máximo permitido hoje para a Sabesp, de 19,7 mil litros por segundo. O índice foi definido no dia 1.º de julho, com prazo de validade de 15 dias. Depois disso, porém, a ANA e o governo paulista não chegavam a um consenso porque, enquanto a agência federal defendia redução na captação, a Sabesp dizia que a medida comprometeria o abastecimento de água na Grande São Paulo.

Confronto. Em seu último plano de contingência apresentado ao comitê, a Sabesp afirmou que uma nova redução “implicará forte revisão da estratégia” e “afetaria parte da economia alcançada, sem proporcionar a certeza de que a contrapartida de redução de vazões seja substancialmente superior”. Procurada nesta sexta, a estatal não se manifestou. Em nota, a Secretaria de Recursos Hídricos afirmou que “não foi determinada nenhuma redução da vazão” do Cantareira e “não houve acordo ou decisão sobre o tema”.

A redução anunciada pela ANA, de 2,6 mil litros por segundo, é o suficiente para abastecer cerca de 500 mil pessoas, mesmo contingente que a Sabesp pretende tirar da área de influência do Cantareira até o fim do ano com o remanejamento de água da Guarapiranga. Hoje, 6,5 milhões ainda são abastecidos pelo Cantareira.

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