Aeronauta aceita acordo; aeroviário para em 4 Estados

Pilotos e tripulação desistem de greve; pessoal de pista se divide: SP trabalha normalmente e Rio, MG, DF e CE têm paralisação parcial

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2011 | 03h01

O Sindicato Nacional dos Aeronautas, que representa a tripulação (comissários e pilotos) em todo o País, aceitou ontem o reajuste de 6,5% do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), o que deve impedir a paralisação de voos no fim de ano. Já os sindicatos de aeroviários (funcionários que trabalham em terra nos aeroportos) se dividiram e podem ser registradas filas nos terminais. Houve protesto ontem pela manhã em São Paulo - que deve ter serviço normal hoje - e paralisação parcial à noite em outros quatro Estados.

Uma audiência de conciliação entre representantes sindicais da capital paulista e companhias aéreas terminou sem acordo, à tarde. O presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP), Nelson Nazar, propôs um reajuste de 7% para os aeroviários. A categoria aceitou a proposta, mas as empresas insistem em aumento menor, de 6,5%. Apesar da recomendação, Nazar determinou multa de R$ 100 mil por dia aos sindicatos que descumprirem padrões mínimos de atendimento durante os feriados.

Para o presidente do Sindicato dos Aeroviários do Estado de São Paulo (Saesp), Reginaldo Alves de Souza, esses padrões mínimos do TRT-SP, incluindo a obrigação para os sindicalistas de manter 80% do efetivo em serviço, inviabilizou a greve neste fim de ano. "Não vamos fazer nada agora, mas não temos o mesmo impedimento em janeiro."

Outro problema, admite o sindicalista, é que os aeroviários da cidade de São Paulo estão praticamente sozinhos no movimento de greve, uma vez que a maior parte da categoria, que é representada por diferentes sindicatos - alguns ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), outros à Força Sindical - já aceitou a proposta patronal. Foi o caso, por exemplo, dos sindicatos dos aeroviários de Guarulhos e de Pernambuco, que ratificaram essa decisão ontem, em assembleia.

A maior parte dos aeroviários é ligada ao Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA), da CUT. Os trabalhadores de Recife, Guarulhos e Porto Alegre têm entidades independentes, com a mesma central. Já os municípios de Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo também têm sindicatos próprios, ligados à Força. Todos aceitaram a proposta patronal, com exceção do SNA.

Parados. Ontem, o SNA anunciou a paralisação parcial do pessoal de pista (operadores, auxiliares, despachantes de mala e motoristas de trator) nos Aeroportos Tom Jobim (Rio), Confins (Belo Horizonte), Fortaleza e Brasília. Havia registros de atraso de voo, mas o check-in operava normalmente e trabalhadores de outras categorias se revezavam para manter o funcionamento normal.

A presidente do sindicato, Selma Balbino, esteve na noite de ontem no aeroporto internacional do Rio, em protesto com pessoal de pista. Ela informou que a paralisação será reavaliada hoje, a cada seis horas. / COLABOROU SABRINA VALLE, DO RIO

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