Advogados se contradizem sobre caso Bruno e Macarrão

ESPECIAL PARA O ESTADO

ALINE RESKALLA , O Estado de S.Paulo

10 Julho 2012 | 03h05

BELO HORIZONTEO goleiro Bruno admitiu ontem a advogados de defesa que escreveu a carta na qual diz a Luiz Henrique Romão, o Macarrão, para "usar o plano B". Mas teria sido "mal interpretado" - o plano B seria encerrar a relação de amizade entre os dois e não pedir a Macarrão que assumisse a autoria da morte de Eliza Samudio.

O advogado Francisco Sinim disse ao Estado que Bruno negou ter relação amoroso com Macarrão, como chegou a dizer o outro advogado do atleta, Rui Pimenta, "Pimenta se baseou na tatuagem que Macarrão tem. Bruno deixou claro que a carta queria pôr fim à amizade dos dois", afirmou Sinim. A tatuagem diz: "Bruno e Maka. A amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir, amor verdadeiro".

Mas ontem, em entrevista a uma rede de televisão, Pimenta voltou a afirmar que Bruno e Macarrão tiveram relacionamento amoroso. Disse ainda que Eliza Samudio participava de orgia com os dois. O Estado tentou contato com Pimenta, que não atendeu.

Na carta publicada pela revista Veja, Bruno diz ao amigo que, após conversar muito com os advogados, eles chegaram à conclusão de que "a melhor forma para resolvermos isso é usando o plano B". Segundo a Veja, o plano A seria negar o crime. No plano B, Macarrão assumiria a culpa para livrar o goleiro da cadeia.

Sem registro. Em nota divulgada ontem, a Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas informou que "nos registros de correspondências enviadas e recebidas por detentos do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Nova Contagem, não consta carta escrita pelo preso Bruno Fernandes de Souza ao preso Luiz Henrique Ferreira Romão, publicada pela Veja".

A nota diz ainda que "em oitiva nesta segunda-feira (ontem), o próprio Bruno disse ter entregue a carta a outro detento da unidade, para que ela chegasse até Luiz Henrique Ferreira Romão (o Macarrão)". Dessa forma, "a correspondência não passou pelos procedimentos formais". A Secretaria diz que vai continuar apurando como a carta saiu da unidade prisional.

O goleiro Bruno, o primo dele Sérgio Rosa Sales e o amigo Macarrão foram pronunciados por homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver e aguardam a data do julgamento. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, é acusado de ter executado Eliza - para a polícia, mesmo sem o corpo ter aparecido, não há dúvidas de que a modelo foi assassinada. Os advogados de defesa já mudaram de versão várias vezes. Primeiro, negaram que Eliza estivesse morta. Depois, admitiram que isso era fato. Recentemente, ganhou força na defesa a estratégia de culpar Macarrão pelo crime, que o teria sido cometido "por amor". Anteontem, o próprio Rui Pimenta disse que "esse era um caso claro de amor".

Em junho, o goleiro recebeu da Justiça de Contagem direito à liberdade condicional referente ao processo em que foi condenado, no Rio, por sequestro e agressão de Eliza. Mas não foi solto por causa do mandado de prisão em vigor relativo ao inquérito da morte da modelo. A situação de Bruno se complicou após o Ministério Público Federal enviar, também em junho, parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) no qual afirma que o atleta é perigoso e pode influenciar os outros suspeitos do crime.

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