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Aclimação amanhece com granizo e ruas bloqueadas

Rafael Italiani - O Estado de S. Paulo

19 Maio 2014 | 08h 41

Estimativa do subprefeito da Sé, Alcides Amazonas, é de que o granizo encha 40 caminhões até o início da tarde para que via seja liberada para o trânsito

Atualizado às 15h40

SÃO PAULO - O bairro da Aclimação, na zona sul de São Paulo, amanheceu com algumas ruas cobertas por granizo na manhã desta segunda-feira, 19. Nas redes sociais, internautas publicaram fotos do gelo que caiu sobre o bairro desde a tarde deste domingo, 18.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) bloqueou algumas ruas para remoção de granizo na Aclimação. Até as 10h30 desta segunda-feira, 19, a Prefeitura já tinha retirado dez caminhões lotados de gelo da Rua Pedra Azul, após a chuva acompanhada de granizo que atingiu a região na tarde deste domingo, 18. Um trator removia as montanhas de pedras que se acumularam na via. Às 15h30 a rua permanecia interditada para limpeza.

A estimativa do subprefeito da Sé, Alcides Amazonas, é de que o granizo encha 40 caminhões até o início da tarde para que a rua seja liberada para o trânsito. "Estamos concentrando todos nossos esforços aqui. Já deu tempo de todo mundo brincar e tirar foto", disse. Amazonas também afirmou que a Prefeitura não está preparada para fenômenos da natureza como o que atingiu o bairro e que isso "precisa ser estudado", tendo em vista que não é a primeira vez que ocorre na região.

O comerciante Ricardo Nottoli, 53 anos, que tem uma lanchonete no sobrado onde vive desde que nasceu na Rua Pedra Azul, guarda em um porta-retrato, na sala, uma foto de sua calçada lotada de granizo, após uma chuva em 1996. "Achei que nunca mais fosse acontecer. Naquela época foi em janeiro, durante o verão. Agora foi no outono, o que me deixa preocupado com o clima", afirmou. Hoje, ele não conseguiu abrir a lanchonete por conta do um metro de gelo que entrou dentro do comércio. Um de seus carros ainda estava atolado no granizo nesta manhã.

Enquanto isso, a artista plástica Lidi Ara, 58 anos, acompanhava os marronzinhos da CET retirando o gelo acumulado sob o Fiat Punto da filha para levar o carro para casa. "Ela me ligou desesperada dizendo que o carro tinha atolado. Só fui entender o pavor dela quando ela me disse que o carro ficou preso no granizo", disse. Além dos carros que já tinham sido retirados, outros oito ainda continuavam sobre montanhas de granizo. Segundo o subprefeito da Sé, após a remoção do gelo, a Prefeitura fará uma "força tarefa" para limpar os bueiros da região.

Atípico. O meteorologista Thomaz Garcia do Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE) da Prefeitura classifica como "atípica" a quantidade de granizo que caiu sobre algums bairros de São Paulo. "Foi incomum a quantidade de granizo. É mais comum ver esse fenômeno durante a primavera e o verão", disse. Ele explicou que a condição meteorológica da tarde de ontem foi o fator responsável pelas pedras de gelo. Ele disse que o granizo se formou no topo de nuvens com cerca de 12 km de altura, onde a temperatura chega a ser de - 40 ºC.

Helena Turon Balbino, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), afirmou que além das baixas temperaturas, as nuvens também precisam ter fortes correntes de vento descendente. "O gelo é jogado para baixo com tanta força que não há tempo para a água ficar líquida", explicou Helena.