JB Neto/AE
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Achou a ave perdida. Mas era de outro

As duas calopsitas estavam sumidas e tinham mesma marca

Tiago Dantas, Jornal da Tarde,

12 Dezembro 2011 | 11h05

A técnica em enfermagem Elizabeth Lino de Andrade, de 52 anos, ainda comemorava, na semana passada, o encontro da calopsita Joca, que ficou 32 dias desaparecida, quando a história tomou um rumo que ela não esperava. Um veterinário notou que o pássaro aparentava estar mais novo: Joca, na verdade, é Kako, uma ave que tinha fugido de um apartamento da Barra Funda, na zona oeste, em 16 de outubro.

O engenheiro Marcelo Pereira, de 36 anos, e a psicóloga Maíra Fechio Rodrigo Pereira, de 31, haviam reconhecido Kako por meio de uma foto publicada pelo JT em 24 de novembro. Naquele dia, o jornal noticiou que Elizabeth havia localizado seu pássaro após distribuir centenas de cartazes em postes e pet shops de Perdizes, bairro da zona oeste. O casal entrou em contato com a técnica em enfermagem, mas algumas coincidências a impediram de perceber que havia cometido um engano.

Para começar, Kako tem penas claras, semelhante ao de uma calopsita mais velha. O mais impressionante é que os dois pássaros têm a mesma marca na pata: a de Joca é de nascença; e a de Kako foi causada por um acidente quando ele ainda era filhote. Elizabeth decidiu procurar o veterinário na última semana de novembro. "Ele estava meio acuado. No começo achei que era por causa do tempo que ele ficou sumido. Mas não passava. E ele não cantava como antes. Achei muito estranho", diz.

Antes de achar esse pássaro, a técnica em enfermagem havia visitado 13 calopsitas, encontradas por pessoas que viram os cartazes na rua e ligaram para ela, e não havia reconhecido nenhuma. "Fui numa veterinária especialista em aves. Ela me disse que se fosse o Joca, ele teria lembrado das músicas que assobiávamos para ele." A mulher entrou em contato com Pereira no dia 30 para buscar o animal. "Nunca vi o Kako tão animado como na hora que viu meu marido. Ele nunca cantou tanto", diz Maíra. "E ele estava super bem-cuidado", completa.

A calopsita havia sido encontrada no dia 16 no Largo Padre Péricles, próximo ao prédio onde o casal mora. "Ele tinha fugido naquele dia. A empregada deixou a rede aberta. Como a gente mantinha as asas dele cortadas, ele não deve ter ido muito longe", afirma Pereira. A procura de Elizabeth por Joca, agora, vai começar do zero. Ela pretende levar outra calopsita sua quando for passear no parque para ajudar nas buscas.

"A veterinária disse que o Joca pode reconhecer o canto do outro pássaro", diz a técnica. "Não estou triste de ter devolvido a calopsita para a família. Estou triste por não ter encontrado o Joca."  

RAIO X

> A calopsita é uma ave originária da Austrália. A espécie foi levada para a Europa no início do século 19. Por ser dócil, espalhou-se rapidamente

> O pássaro se alimenta de alpiste, sementes e grãos, como arroz e painço. Em média, uma calopsita vive 20 anos

> No Brasil, a calopsita é considerada um animal doméstico, segundo portaria do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama)

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