Fernando Zamora/Futura Press
Fernando Zamora/Futura Press

Ação na Cracolândia termina em confronto; dois são feridos

Homens foram levados para pronto-socorro; conflito aconteceu durante operação da Prefeitura para desmontar ‘favelinha’

Bruno Ribeiro, Juliana Diógenes e Paula Felix, O Estado de S. Paulo

29 Abril 2015 | 14h16

Atualizada às 23h45

SÃO PAULO - Dois moradores de rua foram feridos por estilhaços de bala durante operação da Prefeitura na cracolândia, no centro, nesta quarta-feira, 29. A ação para retirada de barracas mantidas pelos dependentes, conhecidas como “favelinha”, acabou em conflito. Usuários de crack montaram barricadas com papelão, e a Tropa de Choque lançou bombas de gás.

O secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, criticou a operação. Disse que foi antecipada e que a pasta não havia sido informada. “O que tinha sido acertado, em um primeiro momento, é que a Prefeitura faria o cadastramento e a inclusão, e nós montaríamos, em conjunto, uma operação para recolher as barracas e as lonas. Hoje, a Prefeitura começou a fazer a inclusão e antecipou essa segunda parte, e nós não fomos avisados.” A Prefeitura não se manifestou sobre as declarações de Moraes.

Fontes na Guarda Civil Metropolitana disseram que a expectativa era de que a retirada da “favelinha” ocorresse sem confronto e a ação foi planejada apenas com o efetivo local da PM que já atua na cracolândia. Mas, depois do começo da operação, os ânimos mudaram. O reforço policial incluiu o envio da Tropa de Choque, e o batalhão ficou no bairro mesmo após a saída da GCM.

A operação de desmonte das barracas e limpeza da área começou de manhã e foi marcada por dois momentos violentos. O primeiro aconteceu às 14 horas e foi desencadeado por um forte estrondo, que assustou os usuários de droga e provocou correria. Guardas-civis metropolitanos enfrentaram resistência. PMs chegaram em viaturas e motos para reforçar o policiamento.

Munição real. Para afastar um grupo que estaria agredindo um policial com uma barra de ferro, segundo a Secretaria de Segurança, um PM atirou para o chão. O tiro teria ricocheteado e os estilhaços, atingido a perna de um homem e o pescoço de outro. Uma das vítimas sofreu ferimentos superficiais e a outra foi levada para um pronto-socorro da região. O policial, de acordo com a pasta, está internado.

 

O segundo momento foi registrado por volta das 17h30. Os moradores colocaram fogo em papelões e bloquearam a Alameda Dino Bueno, na esquina com a Rua Helvétia. A Tropa de Choque avançou em direção às pessoas. Bombas de efeito moral foram lançadas, provocando intensa fumaça e desencadeando novamente correria e tumulto.

A líder comunitária da cracolândia, Rita Rose, afirmou estar decepcionada com a operação da Prefeitura. “Foi horrível. Eles (usuários de drogas) estavam vulneráveis e são doentes. Foi uma traição. Prometeram que não haveria confronto.”

Segundo o comandante-geral da GCM, Gilson Menezes, houve negociação com os usuários para remoção das barracas. “Estamos fazendo um trabalho de reorganização do espaço público e apreendendo as barracas e os carrinhos de grande porte, onde as pessoas guardam drogas e armas.”

A GCM prepara-se para atuar de forma mais dura na área, não permitindo que barracas voltem a ocupar as ruas. A operação deve continuar nesta quinta.

Operação. O objetivo da Prefeitura é colocar os usuários no programa De Braços Abertos, que tem 580 pessoas cadastradas. De acordo com a Prefeitura, 88 pessoas fizeram nesta quarta o cadastro e 30 aceitaram encaminhamento.

O prefeito Fernando Haddad (PT) destacou que o tráfico dificulta a realização do programa. “Não conseguimos trabalhar com assistência, trabalho e saúde na presença de um traficante armado.”

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