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Ação judicial agita leilão de Clodovil

VALÉRIA FRANÇA - O Estado de S.Paulo

13 Abril 2012 | 03h 05

Clima de pregão domina venda; sentença tira mesa com pé de cobra e sofá com brasão dos lances

Gritos, chiliques e até mesmo uma decisão judicial aqueceram os ânimos na noite do leilão do espólio do estilista e deputado federal Clodovil Hernandes, realizado ontem em São Paulo. O evento, que estava marcado para as 21 horas, recebeu um público muito superior ao esperado pelos organizadores. Na Casa 8, nos Jardins, foram reservadas 120 cadeiras, pouco para as centenas de pessoas que apareceram - drag queens, clones de Clodovil, antigas clientes e muitos, muitos curiosos.

Logo no início, Maurício Petiz, amigo do estilista, apresentou uma decisão judicial que retirou dois lotes do leilão. Eles devem ser doados para o Instituto Clodovil Hernandes, fundado por Petiz. Os itens seriam os mais disputados: a mesa de vidro do gabinete em Brasília, com pé de bronze em formato de cobra, batizada de Marta, e o sofá bordado com o Brasão da República. "Acho que essas peças não deveriam ser leiloadas, porque são itens que não seriam achados em uma loja. Por isso, pretendo levá-las para o instituto", disse Petiz.

A aposentada Celina Guiyotoko estava entre os curiosos. Compareceu apenas para mostrar um par de sapatos que há mais de 20 anos comprou do estilista. "Trouxe para doar e ser leiloado", explicou. "Comprei essas peças em uma grande venda, que ele realizou na casa da Granja (Viana, onde Clodovil morou). Naquela época, ele já estava bem apertado. Comprei até móveis."

Apesar do grande número de não compradores no leilão, algumas pessoas estavam dispostas a fazer bons negócios. Foi o caso da colecionadora de arte Silmara Providele, de 42 anos, interessada em dois quadros do pintor brasileiro Carlos Bracher. "Vai ser difícil fazer um bom negócio, porque aqui o que está valendo não é o preço de mercado, mas o valor emocional das peças. Não imaginava que seria assim", disse a colecionadora.

Apareceram também antigas clientes, como a advogada Sônia Maria Homem de Mello, que estava disposta a comprar. Ela arrematou um par de cinzeiros de prata de lei em forma de folhas por R$ 500. Comprou pelo valor sentimental da obra.

A educadora Fernanda Hernandes, prima distante de Clodovil, que nunca conheceu o estilista pessoalmente, prestou uma homenagem. Entre as peças arrematadas, ela levou um par de vasos, entre outros objetos, e gastou cerca de R$ 2,3 mil. "Sempre quis conhecer o Clodovil. Ele fez o vestido de noiva da minha mãe, em 1974", lembrou.

Quando foi leiloado o baú personalizado com pele de animal, Fernanda fez lances, mas não seguiu até o fim. "Estão muito acima do meu limite esses R$ 4,6 mil. E também esse baú não vale tanto."

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