FELIPE RAU/ESTADÃO
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Ação de Doria contra crack terá teste antidoping

Exigência servirá como contrapartida para receberem moradia assistida; quem não aceitar correrá o risco de perder a vaga no projeto Redenção

Adriana Ferraz e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2017 | 03h00

SÃO PAULO - O programa de combate ao crack em desenvolvimento pela gestão João Doria (PSDB) vai exigir que usuários em tratamento se submetam a testes antidoping frequentes como contrapartida para receberem moradia assistida. Quem não aceitar correrá o risco de perder a vaga. Nesta terça-feira, 10, o prefeito afirmou que o modelo final do Redenção, nome dado ao projeto, será anunciado em 60 dias. Até lá, segundo o tucano, as ações do De Braços Abertos, implementado pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT), serão mantidas.

Moradias assistidas ou monitoradas são equipamentos de acolhimento que podem funcionar em residências, prédios ou mesmo hotéis. Neles, os pacientes dividem quartos e são monitorados por assistentes sociais ou funcionários de entidades parceiras. Atualmente, a Prefeitura já oferece moradia em hotéis aos atendidos pelo De Braços Abertos, mas não exige qualquer tipo de teste para comprovação de abstinência.

A ideia de aplicar exames de urina, por exemplo, aos dependentes em tratamento já foi aventada pelo programa estadual de combate ao crack, o Recomeço. A norma, no entanto, não está vigente porque as moradias assistidas previstas para funcionar na Unidade Recomeço Helvetia, no coração da Cracolândia, não foram inauguradas. Lá, serão três andares dedicados a esse acolhimento.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, o Redenção vai incorporar o que o De Braços Abertos e o Recomeço têm de bom. Ele não detalhou quais adaptações deverão ser feitas, mas confirmou que o projeto de Doria vai exigir testes que comprovam abstinência dos atendidos na maioria dos casos, como os acolhidos em moradias monitoradas.

Para o psiquiatra Dartiu Xavier, ex-coordenador do Braços Abertos, a exigência prevista é contraproducente. “A pessoa vai acabar se desligando do programa. É preciso entender que as recaídas fazem parte do tratamento. Cerca de 90% dos dependentes passam por isso, o que não significa que estão voltando à estaca zero, apenas que derraparam na curva”, disse. Segundo Xavier, como ninguém é obrigado a se submeter a testes antidoping, a adesão ao Redenção pode ser pequena.

Abordagem. Para a secretária municipal de Desenvolvimento Social, Soninha Francine, o Redenção precisa ampliar o número de abordagens aos usuários e investir em serviços de acompanhamento aos que passaram por um processo de desintoxicação para que novas internações não sejam necessárias. O Recomeço, por exemplo, interna cerca de 30% de seus pacientes. 

Responsável pela mesma pasta na esfera estadual, Floriano Pesaro afirmou que a integração das ações fará do novo programa uma ação de sucesso. “Não se gastou pouco nesta região nos últimos anos, não faltaram tentativas de ações conjuntas, mas, desta vez, temos convicção de que obteremos sucesso e sem intervenção policial no fluxo”, disse. 

O prefeito Doria anunciou nesta terça que também pediu reforço da Polícia Federal.

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