Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Acadêmicos do Tatuapé é a grande campeã do carnaval de São Paulo

A escola levou para a avenida a celebração dos povos da África e, após um vice-campeonato em 2016, chegou ao primeiro lugar neste ano; título inédito consagra projeto do carnavalesco Flávio Campello

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2017 | 18h04
Atualizado 28 Fevereiro 2017 | 21h57

SÃO PAULO - Há 12 anos o carnaval de São Paulo não via um campeão inédito no sambódromo do Anhembi. Nesta terça-feira, 28, duas agremiações disputaram a honra de ser a 31.ª vencedora da elite do samba paulistano até a última nota do último quesito, samba-enredo. Deu Acadêmicos do Tatuapé, que levou à avenida um tema clássico dos desfiles, mas que não garantiu sucesso nos últimos anos: a África.

Com 269,7 pontos, a escola da zona leste, que desfilou na sexta-feira, teve o enredo Mãe África conta a sua história: Do Berço Sagrado da Humanidade à Terra Abençoada do Grande Zimbabwe. A mesma quantidade de pontos foi obtida pela Dragões da Real, que perdeu o título no critério de desempate. As duas escolas estavam sentadas lado a lado durante a apuração das notas no Anhembi. A Vai-Vai chegou em terceiro lugar. Com 268,2 e 268,1 pontos, Águia de Ouro e Nenê de Vila Matilde, respectivamente, foram rebaixadas ao grupo de acesso. 

No anúncio das últimas notas de samba-enredo, quando a Dragões estava à frente, os membros da Tatuapé já rezavam e choravam abraçados em círculo. Ao ser anunciado o primeiro lugar, os integrantes da vencedora gritavam “Eu não acredito.” 

“Foi uma vitória do nosso povo, da garra da nossa comunidade. Para nós é sempre assim, na raça, é no último minuto. Nós acreditamos”, afirmou o presidente da escola Eduardo dos Santos. E fez questão de ligar a história da agremiação e a cultura que levou à avenida. “O povo africano sofre com doença, guerra, dor, fome e miséria. Mas ninguém faz uma festa, uma dança e um colorido como eles”, afirmou no discurso de vitória. 

O projeto é o primeiro do carnavalesco Flávio Campello na Tatuapé. “Nossa proposta foi exaltar o berço da humanidade, a mãe África. E lembrar que os negros chegaram aqui no Brasil e trouxeram com eles a origem do nosso samba, o samba de rua”, disse, antes do desfile. 

Ele já havia levado o título em 2009, com a Mocidade Alegre. Neste ano, um dos destaques que apresentou na avenida e encantou o público foi o penúltimo carro alegórico da escola, que uniu crianças e integrantes da velha guarda. 

Histórico. Fundada em 1952, com o nome de Unidos de Vila Santa Isabel, a agremiação teve uma trajetória de glória nos últimos anos. Após um jejum de seis carnavais, a Tatuapé voltou ao grupo especial em 2013. No ano passado, com homenagem à fluminense Beija-Flor de Nilópolis, ficou com o vice. Neste ano, teve como intérprete oficial Celsinho Mody, trouxe o Mestre Higor à frente da bateria e como rainha Andrea Capitulino. 

A comemoração encheu na noite desta terça as ruas do entorno da Acadêmicos no Tatuapé. A bateria da escola fez a festa em uma quadra lotada, com muito samba e suor, entoando cantos de “É campeão!” entre um enredo e outro. Do lado de fora, outra bateria improvisada criou uma roda de samba no meio da rua, entre carrinhos de cachorro-quente e ambulantes de cerveja.

 

 

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