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Abdelmassih foi condenado por troca de sêmen feita em 1994

O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2014 | 22h 55

Casal havia procurado a clínica do ex-médico para tratamento de fertilidade e deu à luz a gêmeos que não são filhos biológicos do pai

Um mês antes de sua condenação por estupro, tentativa de estupro ou atentado ao pudor contra 37 mulheres, o ex-médico Roger Abdelmassih foi condenado pela Justiça a pagar indenização de R$ 500 mil a um casal de irmãos, por eles terem sido gerados por sêmen que não era do pai que os criou.

O processo, divulgado nesta sexta pelo jornal Folha de S.Paulo, refere-se a um tratamento médico ocorrido em 1994, quando um casal procurou a clínica de Abdelmassih, nos Jardins, zona sul da capital, para conseguir ter filhos. A mulher do casal deu à luz gêmeos. Mais tarde, os filhos descobriram que eram filhos biológicos da mãe, mas não do pai, e decidiram processar a clínica. A identidade do pai biológico ainda é desconhecida. O processo contra Abdelmassih correu em segredo de Justiça.

O casal de irmãos entrou com a ação em 2010 e pedia R$ 4 milhões em indenização. A Justiça concedeu R$ 250 mil para cada um dos irmãos. A reportagem deixou recados no escritório do advogado Flávio Yarshell, que defendeu Abdelmassih nesse processo, mas ele não retornou para comentar o caso.

Manipulação. O médico é alvo de mais ações pedindo indenização por atuações parecidas. Há quatro inquéritos na Polícia Civil investigando acusações de manipulação genética praticadas pelo médico - a suspeita é de que ele comercializava óvulos e sêmen de seus clientes sem autorização, além de usar material de terceiros para aumentar o índice de fertilização de sua clínica.

Uma das vítimas do médico, a artista plástica Silvia Franco afirma que óvulos dela foram coletados pelo médico e terminaram inseridos em outras mulheres - sem consentimento nem dela nem das demais pacientes.

Além da condenação que resultou na pena que está sendo cumprida agora, de 278 anos, Abdelmassih deve ser denunciado à Justiça por outros 26 casos de estupro, que fazem parte de inquéritos reunidos na 1.ª Delegacia de Defesa da Mulher. A pena do médico, decidida em julgamento de 2010, ainda pode ser revista, porque tanto o Ministério Público Estadual quanto o advogado dele entraram com recursos contra a sentença, que ainda serão apreciados pelo Tribunal de Justiça. 

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