Cesar Duarte
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A um clique, esculturas públicas de todo o País

MuBE cria acervo de peças espalhadas pelas ruas com a ajuda dos internautas

Valéria França, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2010 | 00h00

Um site virtual interativo com monumentos públicos de todo o Brasil, começando pelas obras expostas nas ruas. Essa é a proposta do Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), que está finalizando um projeto que pretende ser sua extensão na web.

Conhecido como um instituto praticamente sem acervo - tem dez obras reunidas -, sua versão virtual já está no ar (www.mubevirtual.com.br), mas ainda inacabada. Oficialmente, estreia dia 11, com 300 peças, de São Paulo e do Rio.

São bustos e estátuas de diversos materiais e de épocas diferentes. O internauta poderá ver, por exemplo, o Monumento a Carlos Gomes, na Praça Ramos de Azevedo, no centro da capital paulista. Também descobrirá que se trata de um conjunto escultórico do arquiteto italiano Luiz Brizzolara, produzido em 1922. E ainda que o autor se inspirou na Fontana di Trevi, apesar de não se parecerem.

A ideia do site partiu do conselheiro do MuBE Francisco Zorzete, arquiteto e dono da Cia. do Restauro, que cedeu parte de seu arquivo. Há outros colaboradores, como a museóloga Mariana Várzea, autora de Arte Ambiente Cidade - Rio de Janeiro. Em parceria com Roberto Aibin, ela conta a história dos 60 monumentos mais importantes da capital fluminense, cidade com o maior número de obras de rua do País.

"O Rio de Janeiro se caracteriza por abrigar principalmente estátuas de bronze do século 18", diz Mariana. "Já São Paulo tem muito monumento de pedra do século 20."

Mas é o internauta, no entanto, o colaborador mais importante do MuBE virtual. "O objetivo é que qualquer brasileiro coloque no site a foto da escultura que tem na esquina de sua casa", explica Zorzete. "Só assim conseguiremos fazer um inventário nacional da escultura."

Além de obras históricas, valem também esculturas contemporâneas e mesmo as de caráter temporário. Uma equipe do site foi treinada para dar assistência ao colaborador espontâneo, ensinando como analisar a obra. Se a equipe perceber que se trata da descoberta de uma escultura desconhecida, de algum autor importante, poderá mandar uma equipe até o local para averiguar.

Democratização. "Um monumento nasce como o final de um passado que se pretende preservar e início de um futuro que quer estar reconhecido nos dias passados", diz Mariana. "O monumento público democratiza a arte. Ele é visto até por quem não entra em museu", diz o museólogo Emanuel Araújo. "Há uma emanação constante. Integra-se à vida da cidade como nenhuma outra obra de museu." Araújo se refere, por exemplo, à Mãe Preta, estátua para quem muitos paulistanos acendem vela, na esperança de conseguir uma graça, apesar de não ser uma imagem sacra.

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