A última noite do terror no Playcenter

Este domingo é o último dia da atração, embora funcionários afirmem que há rumores de prorrogação por mais uma semana; o centro de diversões encerrará suas atividades no dia 29

Cristiane Bomfim, do Jornal da Tarde ,

15 Julho 2012 | 12h34

SÃO PAULO - Na sexta-feira 13, a última da história das Noites do Terror do Playcenter, os monstros que perambulavam pelo parque não assustavam ninguém. Estavam tristes e amigáveis. Paravam para tirar fotos com o público e, muitas vezes, sorriam ensaiando a despedida da última edição do evento, que completou 25 anos e não será mais repetido. Este domingo é o último dia da atração, embora funcionários afirmem que há rumores de prorrogação por mais uma semana. O centro de diversões encerrará suas atividades no dia 29.

"Estamos melancólicos com a chegada do fim do evento. Bate aquela saudade e os personagens ficam mais para baixo mesmo, com aquela aparência tristonha e cansada", confessou o ator Rodrigo Silva, de 20 anos, que interpretou o fazendeiro do paiol. "Sempre tive vontade de participar das Noites do Terror como ator. Quando soube que era o último ano, me inscrevi na seleção", disse ele, que até este ano só frequentava o parque como visitante.

"Desde quando monstro abraça e tira foto? Eles estão muito apáticos. Isso é triste e frustrante. Achei que fosse sentir medo na sexta-feira 13", disse a estudante Jaqueline Tavares Siqueira, de 21 anos. Mas também não tinha muita gente para assustar: os brinquedos que restaram não tiveram fila durante toda a sexta-feira.

"Uma coisa é consequência da outra. O parque estava vazio hoje e deu para interagirmos mais com os visitantes. É a hora da despedida. Quem veio nos últimos dias é porque quer guardar uma recordação", disse o ator Luan Santana Palma, de 19 anos, que interpreta Jigsaw e entrou para o evento em 2011.

"O Freddy Krueger parecia mais simpático. Consegui tirar fotos com vários deles", contou a estudante Micaela Fialho, de 22 anos, que já perdeu a conta de quantas vezes visitou o parque. Ela acha que foram mais de dez. Também gostou do passeio porque pode brincar várias vezes na sua atração favorita, o Evolution. "Nunca vi este lugar desse jeito."

Por falta de público, na quinta-feira o parque fechou as portas mais cedo. "Cheguei às 16h para participar das Noites do Terror e estava fechado. Disseram que era porque estava chovendo e porque não havia muitos visitantes", lamentou o ator Diego Faria, de 21 anos, que foi monstro na edição do evento no ano passado.

A publicitária Sharon Cevilha, de 40 anos, reclamou do abandono do parque. "Vim para me despedir, mas a sensação é que está tudo largado. Vários brinquedos estão parados, alguns nem existem mais. Muito diferente dos anos 1990", disse.

Pouco antes das 21h, com um show, monstros melancólicos se despediram do público de cabeça baixa. Receberam aplausos enquanto um apresentador narrava: "Que os homens não fechem os olhos para o bem na esperança de dias melhores". Em março, a direção do Playcenter anunciou que iria fechar as portas para a implantação de um novo projeto voltado para crianças. O investimento será de R$ 40 milhões e o parque só será reaberto em julho de 2013. Sem monstros, Noites do Terror e com sextas-feiras 13 sem sustos.

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