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A matriarca das modelos nuas de SP

EDISON VEIGA - O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2011 | 03h 02

Há 50 anos, a pernambucana Vera França, de 70, posa para artistas plásticos e diz que criou as filhas com o trabalho

Dona Vera tem 70 anos e não para: está no Centro Cultural São Paulo, em ateliês de artistas e até em oficinas de escritores. Não pensa em aposentadoria e tem uma profissão vista como ousada. Aliás, Dona Vera não gosta de ser tratada de "senhora" nem de "dona", apenas Vera. Há 50 anos, Vera França - nome artístico de Maria das Dores França - é modelo nua. "Matriarca" da profissão em São Paulo, posa para desenhistas, escultores e todo tipo de artista. Ganha de R$ 80 a R$ 100 por hora e é bastante requisitada. "Criei minhas duas filhas com meu trabalho", orgulha-se.

Nascida no sertão de Pernambuco, Vera passou a infância ajudando seus pais na roça. "Éramos 13 irmãos", conta. Desde menina, sonhava ganhar a vida sem roupas. "Eu devia ter 4 anos quando vi uma foto de uma mulher linda, nua, sobre uma pedra. Fiquei encantada. Queria ser como ela."

Com menos de 15 anos, mudou-se para Salvador. "Trabalhei em fábrica de sapatos, fui doméstica, artista de circo." Prestes a completar 20 anos, começou a atuar como modelo, ainda na capital baiana. "Surgiu a oportunidade de ser modelo para desenhistas da escola de Belas Artes", lembra. "Foi uma época puxada. Eu entrava às 7 horas e, não raras vezes, ficava até as 22 horas. Chegava a ficar oito horas seguidas sem me mexer", lembra. Vera conta ainda que a família nunca achou ruim. "Eu sempre fui dona da minha cabeça."

Então, ela soube que em São Paulo poderia ganhar mais dinheiro posando para artistas. Decidiu se mudar. O ano: 1966. Na capital paulista, conheceu novos artistas. "Cheguei a morar na casa do (arquiteto e desenhista) Flávio de Carvalho (1899-1973), por três meses", diz. "Sempre achei bacana conviver com os artistas. Sinto-me em casa, são minha família", comenta ela, que nunca se casou. "Qualquer marido teria ciúmes de meu trabalho", justifica-se.

Entre uma pose e outra, Vera ainda se dispõe a fazer cursos. Atualmente, está aprendendo a criar bijuterias e matriculou-se em aulas de informática. Vera não para.

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