GABRIELA BILO/ ESTADAO
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'A cidade é um lixo vivo, parece um filme escabroso', diz Doria

Prefeito eleito participou de evento na sede da Fecomércio; ele ainda disse que os pancadões são 'atividades criminosas administradas pelo PCC'

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2016 | 19h20
Atualizado 05 Dezembro 2016 | 23h57

SÃO PAULO - O prefeito eleito João Doria (PSDB) disse nesta segunda-feira, 5, em evento na sede da Federação do Comércio em São Paulo (Fecomércio), no centro de São Paulo, que “a cidade é um lixo vivo” e o pancadão (os bailes que funk) que acontecem nas ruas da capital são “uma atividade criminosa financiada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital)”.

“Qualquer parte da cidade, qualquer área que você isole, a cidade é um lixo, é um lixo vivo, parece um filme escabroso. Inacreditável. Tem 16 mil pessoas nas ruas”, disse o prefeito eleito. “No inicio desta gestão, eram 6 mil (moradores de rua)”, disse Doria que, para uma plateia formada em sua maioria por presidentes de sindicatos patronais, subiu o tom em relação à gestão petista, como ainda não havia sido visto no período de transição.

Na sequência, evitou polemizar mais. “Não quero ficar falando aqui do prefeito Fernando Haddad, porque estamos fazendo uma transição republicana. Mas antes tinha uma Cracolândia na cidade com 400 usuários e hoje são 3 mil, espalhados por seis cracolândias.”

Em pouco mais de meia hora de fala, Doria destacou o programa Cidade Linda e disse que a primeira “ação de ataque” na sua gestão será no dia seguinte à posse, em 2 de janeiro. Haverá um mutirão com 2.100 voluntários na Avenida 9 de Julho, da Praça 14 Bis, na frente da sede da Fecomércio, no centro e na Marginal do Rio Pinheiros.

O tucano ainda acusou os pancadões em bairros da periferia, alegando que são fonte de uso de drogas e prostituição e disse que vai lançar o programa Ruas Musicais para “oferecer alternativas de lazer aos jovens” da cidade. “Os pancadões são um cancro, financiados pelo PCC. Estou afirmando isso, é um fato real”, disse o prefeito eleito, referindo-se à facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios de São Paulo.

Como o Estado mostrou no dia 14 do mês passado, a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) esvaziou dois programas que promoviam shows de funk e eventos sociais para comunidades carentes na cidade. Os projetos Funk SP, que ficou conhecido como “pancadão oficial”, e o Rolezinho da Cidadania, que substituiu os encontros de jovens marcados pela internet, tiveram o orçamento reduzido de R$ 7,2 milhões, em 2015, para R$ 2,4 milhões em 2016. 

Procurada nesta segunda-feira, a assessoria de Fernando Haddad afirmou que o prefeito, assim como a Prefeitura, não comentariam as declarações de Doria.

Virada Cultural. Doria disse que vai aumentar a fiscalização com Guardas Civis Municipais (GCMs) para coibir festas em locais públicos e antecipou que a partir do ano que vem a Virada Cultural será realizada apenas no Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo, e não mais em diversos espaços públicos espalhados pela cidade, principalmente na região central.

"Vamos deslocar a Virada Cultural para Interlagos, com 24 horas de evento, com segurança e sem o transtorno que vimos nos últimos anos. Vamos manter o que tem de bom, sem os aspectos ruins", disse Doria, que foi bastante aplaudido pelos empresários quando disse que não quer deixar os ricos mais pobres, mas dar condições para que os pobres possam ficar ricos. 

Doria afirmou ainda que no dia 2 de janeiro, primeiro dia útil da sua gestão, vai abrir o viaduto 9 de Julho para carros. Hoje, a ponte é usada apenas como corredor de ônibus. 

 

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