65% das obras estão atrasadas em São Paulo

Das 20 maiores empreitadas da Prefeitura, 5 sequer saíram do papel; por placas oficiais, há atraso de até 8 anos

Edison Veiga e Renato Machado, de O Estado de S. Paulo,

30 Maio 2009 | 17h35

Das 20 maiores obras estruturais em andamento em São Paulo - intervenções viárias, drenagens, edificações e ações urbanísticas -, apenas duas estão dentro do prazo estipulado em contrato. Treze se encontram atrasadas (65% do total) e cinco - embora apresentadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) como em andamento - nem sequer saíram do papel (e, apesar disso, ainda podem ser concluídas em tempo).

 

Leia a reportagem completa na edição deste domingo, 31, de O Estado de S. Paulo

 

Para obter o levantamento, o Estado solicitou à Siurb uma lista com as principais obras estruturais da cidade no dia 4 de maio. Após insistentes pedidos, recebeu a relação no dia 21. A lista, contudo, apresentava obras já inauguradas - sete Centros Educacionais Unificados (CEUs) e a drenagem do Córrego Moringuinho, na Liberdade, por exemplo - e nomes trocados, como Complexo Jaguaré em vez de Complexo Jaraguá. A reportagem visitou todas as construções. Apenas as obras do Córrego Pirajuçara e da Rua Itapaiuna estão no prazo.

 

Variando entre 6 meses e 8 anos, estão atrasadas a reconversão urbana do Largo da Batata; a Biblioteca Mário de Andrade; a Ponte do Limão; os complexos viários do Jaraguá e Padre Adelino; os Viadutos do Café e da Beneficência Portuguesa; os CEUs Jaguaré, Uirapuru e Heliópolis; e as drenagens dos Córregos Aricanduva, Poli e Desportivo da Penha. "É um prejuízo para a cidade, porque são obras necessárias", alerta o urbanista Cândido Malta Campos Filho, professor da Universidade de São Paulo (USP). "Já há um déficit gigantesco de melhorias."

 

Embora estejam com projetos aprovados e contratos assinados, algumas obras ainda não foram iniciadas. São elas: a última etapa do prolongamento da Avenida Radial Leste, a recuperação da Cracolândia - Nova Luz -, a extensão da Avenida Jornalista Roberto Marinho e as reformas da Casa Número 1 e do Beco do Pinto.

 

Na opinião da urbanista Lucila Lacreta, do Movimento Defenda São Paulo, os atrasos são consequência da falta de organização do setor público. "Ao que nos parece, o governo não tem controle do cronograma das obras", diz. "Não sabe o que vai acabar primeiro, o que vai acabar depois. De repente, há um rol de obras descontroladas." Ela lança a ideia de que a Siurb divulgue, em site, o cronograma das obras em andamento. "Queremos que tudo fique mais claro para que os cidadãos possam acompanhar e cobrar", pede. "É preciso transparência."

 

Atrasadas, algumas obras ainda apresentam um aumento do custo inicialmente previsto. A drenagem do Córrego Aricanduva, por exemplo, sairia por R$ 97,6 milhões - com previsão de entrega em 3 anos, 2 meses e 15 dias -, conforme contrato de 2004. A última estimativa, entretanto, avalia a obra em R$ 132,5 milhões. Um aumento de 35,7%. Os CEUs atrasados tiveram um reajuste de 18,5%. A reportagem solicitou à Siurb informações sobre atrasos e reajustes de todas as maiores obras. Os dados das obras viárias e ações urbanísticas não foram fornecidos.

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