4 meses após enchente, começa obra de dique no Jardim Romano

Objetivo da construção de 1,4 mil metros é reter água da várzea do Tietê e impedir a ocorrência de novas inundações

Ana Bizzotto, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2010 | 00h00

Após quatro meses da primeira enchente que alagou o Jardim Romano e outros bairros do distrito Jardim Helena, na zona leste de São Paulo, teve início ontem a construção de um dique de 1.400 metros juntamente com pôlder (sistema de drenagem) para escoar a água para a várzea do Rio Tietê. O objetivo da obra, feita pela Prefeitura em parceria com o governo estadual, é resolver definitivamente o problema de alagamento da área.

O custo inicial da obra, que prevê a retirada de cerca de 800 famílias, é de R$ 60 milhões. A localização do dique, segundo a secretária estadual de Saneamento e Energia, Dilma Pena, tem como base a chamada linha de enchente e ficará a cerca de 50 metros da margem do Rio Tietê. Essa linha tem como parâmetro as chuvas mais fortes dos últimos 25 anos e o limite da inundação dentro da várzea. A capacidade é para segurar as fortes inundações nos próximos 100 anos.

Como o Estado adiantou em 24 de março, a estrada que circundará o Parque Várzeas do Tietê, o passeio para pedestres e a ciclovia ficarão sobre o dique de 14 metros de largura. O parque está em construção.

A água das ruas será levada para um reservatório a ser construído em área de várzea, no limite entre São Paulo e Itaquaquecetuba. De lá, será jogada para o outro lado do dique, no Rio Tietê, por meio de bombas elétricas.

Segundo a Secretaria Municipal de Obras, o dique deve ficar pronto até o dia 2 de outubro. A empresa responsável pela parte de engenharia é a Queiroz Galvão, escolhida por meio de licitação, que receberá R$ 31 milhões.

Invasão. Cerca de 100 famílias da região alagada ocuparam, no último sábado, um terreno na Vila Curuçá. O ato foi organizado pelo movimento Terra Livre. "São moradores que tiveram ou terão as casas demolidas e não têm condições de pagar a prestação do apartamento prometido pela Prefeitura", explica Vagner Fernandes, um dos coordenadores do movimento. "O objetivo é garantir moradia às famílias que estão sendo despejadas."

Segundo a Secretaria Municipal de Habitação, 10.191 famílias foram cadastradas. Dessas, 3.753 receberam R$ 200 de auxílio mudança e estão recebendo R$ 300 de auxílio aluguel. O benefício será concedido até que uma solução habitacional definitiva seja oferecida. Outras 340 famílias se mudaram para apartamentos da CDHU em Itaquaquecetuba. Foram demolidas 1177 casas.

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