2 dias antes do fim do contrato, lixo se acumula no centro

Empresas assumem nova varrição amanhã sem efetivo total; garis de contrato antigo protestam contra demissões

O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2011 | 03h03

Sem efetivo completo, as empresas que assumem amanhã, a partir das 6 horas, os serviços de varrição em São Paulo terão de recolher das ruas pilhas de lixo acumuladas nos últimos dias. Com a mudança nos contratos, os 10 mil garis das atuais concessionárias reduziram as horas de trabalho ou faltaram desde a última sexta-feira. Na manhã de ontem, cerca de 200 deles protestaram no Brás, região central da cidade, por garantias contra demissões.

A estratégia dos consórcios São Paulo Ambiental e Soma para evitar críticas logo no início do trabalho foi colocar cerca de 400 fiscais nas ruas para identificar vias com acúmulo de sujeira. Além disso, as empresas não terão, inicialmente, os 13 mil garis previstos, pois ainda fazem contratações. O efetivo total deve começar a trabalhar em até 60 dias.

A Secretaria Municipal de Serviços disse que fez um apelo para que os garis atuais fossem contratados. "Pedimos que todos os empregados hoje fossem absorvidos pelo consórcios, para que não houvesse ninguém desempregado", disse o secretário Dráusio Barreto, que reconhece, no entanto, não ter como garantir a contratação.

Colchão velho. Ruas comerciais do centro, como a 7 de Abril e Barão de Itapetininga, estão cheias de lixo. De colchão velho a sacos de fast-food, tem de tudo no chão da Praça Dom José Gaspar. Até do lado da Prefeitura e do Teatro Municipal a sujeira se acumula.

"Esse lixo afasta ainda mais os clientes para os shoppings", lamenta o dono de sapataria Luiz César Américo, de 54 anos. "Não tem mais gari à noite desde sexta, só uma vez à tarde. Antes, eles passavam cinco vezes por dia." Na Liberdade, comerciantes também reclamaram da falta de varredores nos últimos dias.

"Justo agora que deveria ter mais garis, por causa do Natal e das chuvas, está toda essa sujeira. E não dá para ficar xingando a população, porque quase não tem lixeira", afirmou a advogada Tatiana Demarchi de Souza, de 35 anos, que trabalha na Rua São Bento.

A Prefeitura intensificou as multas aplicadas às cinco empresas que vão deixar a varrição amanhã. A pasta de Serviços informou que, se houver falhas, elas serão multadas. Procuradas, as empresas Loga e Vega, que fazem parte do contrato atual, não responderam.

Uniforme. Ontem, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) apresentou os novos uniformes e caçambas de lixo verdes, caminhões e equipamentos de varrição mecânica. Os 14 carrinhos serão usados para varrer ruas e calçadões. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) vai liberar os caminhões de varrição do rodízio e das restrições à circulação, para que o lixo seja retirado no máximo 4 horas após a limpeza.

A Prefeitura também apresentou leitor óptico, que vai ajudar a monitorar a higienização das lixeiras com chip. Ao todo, serão instaladas 150 mil em oito meses - 15 mil só amanhã. "Toda via de uso misto, comércio e serviços, deveria ter ao menos uma lixeira por esquina", disse Barreto. / FELIPE FRAZÃO e D.Z.

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