Tia, a Gabi pode descer?

Tia, a Gabi pode descer?

Angélica Arbex

16 Julho 2015 | 08h25

Julho, Dezembro, Janeiro a campainha toca como nunca antes no condomínio. As férias escolares… Gabi, Analú, Pedro, Mari, Carol, Fernando, Rafa, Julia, Tomás, Isa e tantas outras crianças estão em casa. São os nossos filhos que, longe da escola,  ficam em casa inventando e enlouquecendo mães, avós, babás, porteiros, zeladores, síndicos e quem mais estiver por lá.

Outro dia, uma amiga me contou que estava em uma reunião importante do trabalho e a filha ligou dizendo que precisava muito falar com ela.  Ela pediu licença com aquele sorriso amarelo que todas as mães conhecem, e foi ver o que a filha precisava. Era uma ligação urgente, urgentíssima para passar a lista de compras das coisas necessárias para a festa que ela, a criança,  iria dar na piscina na manhã seguinte. A mãe não deu muita bola, ocupada que estava. Chegou em casa e já tinha as confirmações, todas pelo interfone do condomínio. Mãe, minha festa vai “bombar”, 37 crianças já confirmaram. Ela resignada foi pro supermercado… Eu fiquei pensando no pobre zelador. Não! Ninguém e nenhuma câmera controlam a festa promovida por uma garota de 10 anos com outras 37 crianças na piscina.

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E assim a história está acontecendo ao vivo nos 20 mil condomínios paulistanos. Alguns deles, aqueles com muitas torres e muitas crianças eventualmente contratam equipes de monitores e montam atrações diversas nas férias, mas esse não é o caso da grande maioria dos condomínios, que acabam tendo as crianças reunidas sem atividades tão planejadas e supervisão.  Pela frente, mais duas semanas inteiras.

Por aqui, reuni algumas dicas para quando a campainha e o interfone tocam e nossos pequenos descem.

1)      Os responsáveis pelos nossos filhos somos nós

Essa tarefa é indelegável, ninguém no condomínio pode olhar as crianças e dar orientações sobre perigos e proibições. E tem mais, ninguém conhece nossos filhos melhor que nós. É nossa tarefa saber a hora que a criança já está madura para descer e brincar sozinha. Enquanto não tiver segurança de que ela sabe se cuidar não dá pra deixar.

2)      Idade mínima para o elevador

Não é recomendável que uma criança com menos de 10 anos, ande no elevador desacompanhada. Ela não tem discernimento para tomar atitudes frente a uma emergência, muitas não têm altura para acionar alarmes ou interfones.

3)      Atenção aos amigos

Muitos condomínios possuem espaços diferentes para as diferentes faixas etárias. Playgrounds kids, espaço baby, garage band para adolescentes etc. Isso é muito bom porque ajuda a formação de grupos que regulam de faixa etária. Nestes condomínios, e naqueles onde não há esta distinção na área de lazer, é muito importante que você conheça os amigos do seu filho e incentive que ele tenha amigos com faixa etária semelhante. Isso ajuda a evitar problemas.

4)      Incentive seu filho a assumir as responsabilidades

Quebrou um vaso na área comum, conte. Jogou bola no lugar errado, conte. Brincar no condomínio é uma oportunidade muito rica para que as crianças possam exercitar os ensinamentos que receberam de como exercer a cidadania, respeitar a vez do amigo, assumir a responsabilidade pelos seus atos etc. Compartilhar espaço comum já é um grande aprendizado para nós, imagine então para os pequenos.

5)      Tem horário para a folia acabar

Seu filho tem uma turma boa no condomínio? Brinca como se não houvesse amanhã e com isso aproveita as férias? Que bom! Mas é muito importante determinar o horário que a brincadeira acaba. Alguns condomínios têm a regra das 22h. Outros flexibilizam um pouco mais nas férias. Entenda qual a regra do seu condomínio e lembre seu filho de cumpri-la. Já falamos por aqui de barulho, e esse é um problema real que a gente pode ajudar a evitar.

6)      Festas na piscina? Não, por favor.

A piscina talvez seja o lugar mais perigoso do condomínio. Lá o imponderável pode acontecer com quem sabe e com quem não sabe nadar. Reuniões na piscina nunca são recomendadas. Crianças na piscina exigem a presença de um adulto responsável por elas. Os perigos são conhecidos e reais e os acidentes podem ser evitados, com bom senso e atenção. Aquela minha amiga, lembra? Conseguiu transferir a festa de todo o grupo para o salão de festas, segundo a filha dela, a festa “bombou” mesmo e eles se divertiram muito… longe da piscina!